11 de julho de 2026
Geral

Mesmo sobrenome em três vacinados foi o que gerou suspeita de 'fura-fila'

Larissa Bastos
| Tempo de leitura: 2 min

A Polícia Civil de Bauru iniciou as investigações do inquérito que apura a conduta de uma técnica de enfermagem que foi demitida acusada de ter vacinado indevidamente contra a Covid-19, na Unidade de Saúde da Família (USF) da Vila São Paulo, quatro familiares que não integram o grupo prioritário. Nesta terça-feira (4), a funcionária que constatou a irregularidade e a coordenadora da USF prestaram depoimento e declararam que a suspeita da fraude surgiu quando viram pessoas com o mesmo sobrenome, considerado incomum por elas, em um relatório nominal dos vacinados na unidade.

Segundo a delegada responsável pelo caso, Cássia Regina Viranda Canzian, no início da vacinação, as USFs monitoravam nominalmente somente os imunizados que moram nos bairros das regiões 'atendidas' por cada unidade. Porém, no final de março, decidiram que seria necessário controlar dessa forma todos os vacinados.

Os funcionários da USF da Vila São Paulo levaram cerca de um mês para incluir os dados no sistema, até que, em 20 de abril, emitiram o primeiro relatório apenas com informações de moradores de outras regiões que receberam doses na unidade. "Como a quantidade de nomes é bem menor, conseguiram visualizar com facilidade que havia três pessoas com o mesmo sobrenome da investigada, que não tem um sobrenome comum, o que chamou a atenção", detalha Canzian.

Agora, o próximo passo do inquérito será identificar e questionar quem trabalhava com a técnica de enfermagem nos dias em que as doses foram aplicadas para, depois, ouvir a versão da própria investigada.

RELEMBRE O CASO

Conforme o JC noticiou, a profissional - que era contratada da Sorri-Bauru, que administra a USF da Vila São Paulo - teria vacinado indevidamente o filho, a nora, o marido e uma cunhada, que têm entre 24 e 44 anos e não integram o grupo prioritário de vacinação contra a Covid-19.

Ela foi demitida por justa causa e é investigada pelo crime de peculato, que prevê até 12 anos de reclusão. As doses foram aplicadas entre 8 de fevereiro e 11 de março, mas a fraude só foi descoberta em 20 de abril. Três dias depois, o caso foi revelado em primeira mão pelo Jornal da Cidade.