08 de julho de 2026
Nacional

Teich depõe e reclama de interferência


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Brasília - O ex-ministro Nelson Teich (Saúde) afirmou nesta quarta-feira (5) que pediu demissão do governo federal no ano passado por não ter tido autonomia à frente da pasta, situação que ficou mais evidente com as divergências com o presidente Jair Bolsonaro em torno da hidroxicloroquina.

Teich participou de sessão da CPI da Covid do Senado. O ex-ministro permaneceu apenas 29 dias no cargo, no primeiro semestre de 2020, optando pelo pedido de demissão por não contar com autonomia e liderança diante do combate à pandemia.

[As razões da minha saída] se devem, basicamente, à constatação de que eu não teria a autonomia e a liderança que imaginava indispensáveis ao exercício do cargo. Essa falta de autonomia ficou mais evidente em relação às divergências com o governo quanto à eficácia e extensão do uso do medicamento cloroquina para o tratamento da Covid-19, afirmou.

"Enquanto a minha convicção pessoal, baseada em estudos, era de que naquele momento não existia evidência de sua eficácia para liberar, existia um entendimento diferente por parte do presidente, que era amparado na opinião de outros profissionais, até do Conselho Federal de Medicina, que, naquele momento, autorizou a extensão do uso."

SAÍDA DO CARGO

Teich foi questionado pelos senadores da CPI se houve um fato específico que teria sido a gota d´água para a sua demissão. Respondeu que foi uma sequência de falas do presidente. Na primeira fala, disse que o ministro da Saúde precisava estar afinado com o presidente. Depois afirmou a empresários que seria necessário expandir o uso da hidroxicloroquina.

À noite, tem uma live, onde ele [Bolsonaro] coloca que espera que, no dia seguinte, vá acontecer isto, que vai ter uma expansão do uso. E aí, no dia seguinte, eu peço a minha exoneração, disse o ex-ministro.

O depoimento de Teich foi o segundo de ex-ministros no âmbito da CPI da Covid, após a participação de Luiz Henrique no dia anterior.