10 de julho de 2026
Política

Consórcio nacional de prefeitos tenta aquisição direta de vacinas com a China

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 3 min

O secretário executivo do Consórcio Nacional de Vacinas das Cidades Brasileiras (Conectar), Marcelo Cabral, informou nesta quarta (5), em entrevista ao Jornal da Cidade, que o grupo iniciou as tratativas com o Governo Chinês para adquirir vacinas contra a Covid-19. Uma reunião na última quinta-feira (29), com o embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, tratou das relações comerciais com os laboratórios Sinopharm e CanSino. O presidente do Conectar é o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro.

A decisão foi tomada depois que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) negou, no último dia 27, a autorização para uso no Brasil da vacina Sputnik V, cuja aquisição vinha sendo negociada pelo Consórcio Nacional de Vacinas das Cidades (Conectar).

Segundo Marcelo, a aquisição da Sputnik V estava em fase de contrato com o Fundo Soberano Russo, órgão que autoriza a comercialização das vacinas. "Isso fez com que continuássemos com esforços, mas respeitamos absolutamente os critérios técnicos da Agência", assegurou.

O Conectar, criado em março deste ano, possui atualmente 2.025 cidades brasileiras consorciadas, inclusive Bauru e outras da região, que reúnem mais de 150 milhões de pessoas. Foi criado após a decisão do STF que autoriza cidades e estados a adquirirem vacinas no âmbito da pandemia. Tem objetivo de adquirir 30 milhões de doses.

No caso dos laboratórios chineses, Marcelo esclarece que são duas opções menos conhecidas do que o laboratório Sinovac, que produz a Coronavac.

O laboratório Sinopharm deve iniciar até o início da próxima semana o processo de registro junto à Anvisa. "Essa é uma oportunidade muito importante", avaliou Marcelo. O objetivo é adquirir junto ao laboratório 15 milhões de doses este ano.

O outro laboratório, que está em fase menos adiantada de registro, é o CanSino, que tem aprovação em países como México, Hungria, Paquistão e Chile, segundo o Conectar.

Além dessas possibilidades, o secretário apontou outras frentes de atuação para aquisição de vacinas, como junto à Embaixada norte-mericana. O consórcio aguarda resposta ao pedido de doação ou revenda das doses da vacina AstraZeneca que estão sem uso autorizado ou previsão de utilização pelo governo dos Estados Unidos.

Mas Marcelo destacou que o Consórcio tem atuado também para amparar os municípios na compra de outros medicamentos e insumos. "Temos a prioridade máxima de adquirir vacinas, mas também para que possam adquirir medicamentos, equipamentos, EPI e até serviços. Por mais que a gente tenha a clareza que a vacinação é o caminho para voltar ao mínimo de normalidade, entendemos que este evento vai determinar uma mudança na forma como a Saúde Municipal se comporta, seja pela falta de vacinas ou de outros insumos", avaliou.

Ainda este mês, o Conectar lançará a primeira Ata de Registro de Preços para adquirir luvas, máscaras, aventais, seringas e agulhas para todos os municípios consorciados.

Formado em Administração Pública, com mestrado em Políticas Públicas, Marcelo é funcionário público federal locado no Ministério da Economia, desde 2008.

Mudou-se no início do ano para Bauru e pouco depois foi cedido pelo Governo Federal para atuar no Conectar.

Desde que se mudou para Bauru, ainda não teve contato com a prefeita Suéllen Rosim (Patriota). "Será ótimo tê-la participando das reuniões do Consórcio, juntamente com o vice-prefeito e secretário de Saúde, Orlando Costa Dias."