08 de julho de 2026
Nacional

Queiroga se omite sobre cloroquina

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, disse que a política a ser implementada contra o novo coronavírus no País é "a do governo federal, não do Ministério da Saúde". "Se o presidente da República pensar de forma diversa, ele é o presidente da República", afirmou durante depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado. "Fui nomeado pelo presidente da República e estou trabalhando conforme as orientações técnicas dia e noite", afirmou.

Conforme ressaltou, a política de combate ao vírus inclui a vacinação e o uso de medidas não farmacológicas, como o uso de máscaras e o distanciamento físico entre as pessoas. O ministro anunciou também que deverá fazer modificações à política de testagem para diagnóstico do vírus. "Vamos buscar testes mais modernos, com antígenos", afirmou. "Na nossa gestão não há política de distribuição de remédios sem eficácia comprovada", completou.

IRRITANDO

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, irritou membros da CPI da Covid por evitar responder perguntas sobre a atuação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no enfrentamento da pandemia.

Queiroga esteve na comissão nesta quinta-feira (6), em uma sessão também marcada por atos de obstrução dos trabalhos por senadores governistas.

Os senadores próximos ao Planalto contestaram a atuação do relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), e reagiram a cada pergunta mais incisiva e direta, para tentar evitar respostas que pudessem contrariar os interesses do governo Bolsonaro.

Queiroga tentou driblar perguntas relativas ao posicionamento pessoal do presidente Bolsonaro, recusou-se a dar sua opinião sobre o uso da hidroxicloroquina (medicamento sem eficácia comprovada para o tratamento da Covid) e não quis fazer uma avaliação das condições do ministério e das ações de enfrentamento à pandemia no momento em que assumiu o cargo.

Queiroga se tornou ministro da Saúde em março, em substituição ao general Eduardo Pazuello, que saiu bastante criticado por sua atuação, pelo atraso na contratação de vacinas e pelo colapso do sistema.

O atual ministro respondeu que não recebeu nenhuma orientação de Bolsonaro referente ao uso da hidroxicloroquina, mas se recusou a avaliar a posição do presidente em defesa do medicamento.

Todos nós estamos aguardando a resposta. Não tem três palavras, só tem uma: sim e não", disse o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM). "Até minha filha de 12 anos falaria sim ou não", completou.