09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A Cloroquina pedagógica

Conselho Municipal de Direitos Humanos
| Tempo de leitura: 1 min

Após as últimas publicações da OMS, torna-se evidente que é errado dizer que não há comprovação científica da eficácia da cloroquina no tratamento da Covid-19. O correto é: as evidências indicam que a cloroquina é contraindicada, por ter efeitos colaterais perigosos sem produzir nenhum benefício. Pois bem, a irracionalidade persistente do bolsonarismo não produz somente mortes desnecessárias, como se isso fosse pouco, mas ameaça nosso futuro ao desprezar e prejudicar a melhor maneira pela qual o garantimos: uma educação de qualidade. A proposta de escolas cívico-militares é uma cloroquina pedagógica!

Seria incorreto dizer que sua eficácia é polêmica; na verdade, é comprovadamente ineficaz e contraindicada se queremos uma educação que forme cidadãos conscientes, ilustrados e críticos. Pois o principal problema que esse projeto afirma atacar, a existência de episódios de violência e indisciplina na escola, não somente não é resolvido como se prejudica a possibilidade de boas práticas pedagógicas que permitiriam equacioná-lo. Evidências da ciência psicológica e pedagógica indicam que seres humanos em formação se tornam mais capazes de seguir uma regra na medida em que compreendem seu sentido, participam de sua elaboração, lidam com as consequências da desobediência ou da indisciplina e têm oportunidade de reparar malfeitos.

A presença de "autoridades" militares na escola impede, precisamente, que esse aprendizado ocorra. Tal como em relação à cloroquina, não deveríamos sequer perder tempo com essas discussões; igualmente, entretanto, nesses tempos sombrios, é necessário um esforço tremendo para fazer valer a mais simples evidência factual e científica. A tragédia do desgoverno atual e de seus apoiadores não nos leva somente a inúmeras mortes desnecessárias, mas ameaça também nosso futuro.