11 de julho de 2026
Internacional

Assassinos de líder africano vão a julgamento 33 anos depois

FolhaPress
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Uganda - Foram necessárias mais de três décadas para que os assassinos de Thomas Sankara, considerado um dos principais revolucionários africanos, chegassem à Justiça de Burkina Fasso. Mas no dia 13 de abril, o processo contra o ex-ditador Blaise Campaoré, o seu chefe de gabinete, general Gilbert Diendéré, e soldados envolvidos no caso foi finalmente encaminhado ao tribunal militar de Uagadugu, Capital do país.

Então presidente de Burkina Fasso, Sankara foi morto por seis militares em 15 de outubro de 1987, com 12 colaboradores. O crime foi o estopim do golpe liderado por Campaoré, até então seu braço direito. Hoje exilado na Costa do Marfim, Campaoré ficou 27 anos no poder e só foi derrubado por uma insurreição popular em 2014. Foi nesse levante, motivado principalmente pelos jovens que pediam o fim da impunidade e uma troca imediata no poder, que o nome de Sankara ressurgiu com força.

Pai da revolução burquinense, ele ficou conhecido como "Che africano", em homenagem a Che Guevara, um dos líderes da Revolução Cubana. Segundo o advogado da família de Sankara, Guy Hervé Kam, com o andamento do processo finalmente será possível conhecer a verdade. Em seu regime, Campaoré sepultou qualquer investigação sobre o assassinato do antigo aliado. "As testemunhas tinham medo de falar, e muitas delas foram mortas", diz Kam.

Agora, o processo contra 23 pessoas vai andar. A lista de réus inclui o ex-ditador e Hyacinthe Kafando, chefe dos seis militares que mataram Sankara, entre outros. O julgamento ainda não tem data marcada, mas deve ocorrer no máximo em seis meses.