08 de julho de 2026
Ser

A vida por trás do filtro

Evelin Azevedo
| Tempo de leitura: 2 min

O uso de aplicativos de retoque de imagem ou filtros nas redes sociais para esconder "imperfeições" é mais comum do que se imagina entre as meninas mais novas. Pesquisa feita pelo Projeto Dove pela Autoestima mostra que 84% das jovens brasileiras com 13 anos já usaram algum tipo de recurso tecnológico para mudar sua imagem em suas fotos.

Além disso, 78% delas tentam mudar ou ocultar pelo menos uma parte ou característica de seu corpo que não gostam antes de postar uma foto de si mesmas das redes sociais. "As meninas e mulheres, hoje, acreditam em um padrão de beleza e deixam de valorizar e considerar as diferenças. Temos biotipos, descendentes diferentes e nunca seremos iguais e padronizados. Os filtros criam uma ideia que todos vão ser iguais, ter a "mesma cara", o que não é real", afirma a psicóloga Fabiane de Faria, idealizadora da plataforma Aterapia.

A pesquisa foi realizada em dezembro de 2020 e revela o impacto do uso das redes sociais e filtros na autoestima de meninas entre 10 e 17 anos nos EUA, Inglaterra e no Brasil. No País, a pesquisa foi conduzida pela Edelman Data & Intelligence, consultoria global e multidisciplinar de pesquisa, análise e dados, com 503 meninas de 10 a 17 anos e 1.010 mulheres de 18 a 55 anos.

Dados da pesquisa apontam, também, que quanto mais tempo as meninas passam editando suas fotos, mais elas relatam baixa autoestima corporal: 60% das que passam de 10 a 30 minutos editando as imagens dizem ter baixa autoestima. O estudo retrata que as meninas que distorcem suas fotos são mais propensas a ter baixa autoestima corporal (50%) em comparação com aquelas que não distorcem suas imagens (9%).

"A preocupação excessiva com a imagem reflete diretamente na autoestima da mulher. Devido a isso, a mulher pode ter sua saúde mental afetada de muitas formas, podendo até desenvolver transtorno dismórfico; ansiedade, angústia e transtornos alimentares", explica Bettina Correa, psicóloga do Grupo de Telemedicina Iron.