Na ditadura, oprimido por abuso do poder e corrupção, o povo clama por democracia e na democracia, por abuso da liberdade e corrupção, o povo passa a clamar por um governo forte, porém, democrático. Pura ilusão. Veja que a virada de uma para outra forma de governo não muda as palavras que são a causa do descontentamento: abuso e corrupção - abuso do poder na ditadura, abuso da liberdade na democracia e a corrupção tanto em uma como em outra. Não adianta querer mudar de rumo sob o comando de volver à esquerda ou à direita porque a marcha levará ao mesmo destino de insatisfação.
Tentar novo rumo faz parte da luta pela sobrevivência, que começa ao nascer. Ao separar-se do corpo da mãe pelo corte do cordão umbilical a criança já sente a necessidade de procurar alimento e essa procura vai ser uma luta por toda a vida. Livre, na floresta, procura alimento colhendo vegetais ou caçando animais, mas a procriação forma famílias, estas formam grupos maiores e a luta por alimentos se torna competitiva. A competição cria a necessidade de alguém que garanta a disciplina e a defesa contra outros grupos. Aí começam os governos e as guerras, com o afloramento dos instintos humanos de sobrevivência, posse e poder.
A luta pela sobrevivência se complicou com o crescimento populacional, exigindo a mudança de coletor e caçador para produtor de alimentos e de produtos para outras necessidades como roupa, casa, ferramentas etc. dando origem ao trabalho. O avanço da civilização foi mudando as condições de vida de rural para urbana, com toda a parafernália das invenções tecnológicas. As diferenças individuais, por outro lado, trouxeram novo complicador, a desigualdade social. A garantia de disciplina e equilíbrio da vida grupal passou a exigir, cada vez mais, novas e maiores competências dos governos.
Não bastassem essas complicações, a luta pela sobrevivência apresenta outra face, a luta contra os inimigos invisíveis a olho nu que causam as doenças - as bactérias, vírus e fungos. Lutar para não morrer de fome e de doença ficou mais difícil, evidenciando a mãe de todas as necessidades, ainda não compreendida suficientemente - a educação. Sem ela voltamos à idade da pedra e com ela deficiente regrediremos a estágios inferiores ao ponto em que a humanidade, como um todo, chegou.
Sobreviver no mundo atual e futuro exige, cada vez mais, conhecimento de ciência e tecnologia e os governos obstinados em ideologias retrógradas, com rótulos de 'esquerda', em referência ao comunismo ou de 'direita', com ideias do nazifascismo no subconsciente, só podem levar desgraça ao povo que os aceita. Essas observações nos remetem à obra póstuma de Humberto de Campos, psicografada por Chico Xavier - "Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho" cujo amor pelo Brasil faz uma revisão de sua história à luz do Evangelho e conclama: "Brasileiros, ensarilhemos, para sempre, as armas homicidas das revoluções! Consideremos o valor espiritual do nosso grande destino.'
Emmanuel fez o prefácio, terminando como se fosse para hoje: Peçamos a Deus que inspire os homens públicos, atualmente no leme da Pátria do Cruzeiro, e que, nesta hora amarga em que se verifica a inversão de quase todos os valores morais, no seio das oficinas humanas, saibam eles colocar muito alto a magnitude dos seus precípuos deveres.
O autor é ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru.