08 de julho de 2026
Internacional

Amazônia: Kerry insiste para Brasil voltar a fazer progressos

FolhaPress
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Washington - Em audiência com o comitê de relações exteriores do Congresso americano, na noite de quarta-feira (12) o enviado de Joe Biden para o clima, John Kerry, disse se o governo norte-americano não discutir a preservação da Amazônia com o governo de Jair Bolsonaro, "a floresta vai desaparecer".

"Estamos dispostos a conversar com eles, não com tapa-olhos, mas sabendo onde já estivemos", afirmou o ex-secretário de Estado americano, que chamou de positivas as conversas, iniciadas semanas atrás, segundo ele. "Esperamos que a intenção possa ser traduzida em ação que seja efetiva e verificável."

SEM PROGRESSOS

Kerry reconheceu que o Brasil vinha diminuindo os níveis de desmatamento entre 2004 e 2012 e disse que o país estava "fazendo progressos". Mas pontuou que as proteções ao ambiente foram revertidas sob o que chamou de "regime Bolsonaro" -usando termo normalmente aplicado, por exemplo, à ditadura de Nicolás Maduro na Venezuela.

Sobre o avanço das negociações com o governo brasileiro, o ex-secretário afirmou que o objetivo americano é conseguir montar uma nova estrutura de fiscalização das ações na floresta em que todos "tenham confiança". "Tivemos essa conversa. Eles dizem que estão comprometidos em aumentar o orçamento e montar uma nova estrutura."

Segundo relatos feitos ao jornal Folha de S.Paulo, os brasileiros argumentaram que a tesourada tinha sido inevitável porque a cúpula ocorrera às vésperas da sanção do Orçamento de 2021 e não houvera tempo hábil para evitá-la. Salles e França, no entanto, argumentaram que uma recomposição orçamentária do Ministério do Meio Ambiente deve ocorrer em breve.

ÍNDIGENAS

Questionado pela deputada Susan Wild, democrata da Pensilvânia, se os EUA estavam negociando diretamente com indígenas brasileiros, além de com o governo, Kerry disse que ainda não houve encontros diretos, mas que representantes deles estão sendo consultados pelos americanos.

"As preocupações deles são primordiais. Eles têm muita voz e precisam ser ouvidos", afirmou.