O isolamento social imposto pela pandemia do novo coronavírus contribuiu bastante para o aumento dos casos de violência contra crianças e adolescentes. Só no primeiro quadrimestre de 2021, o Centro de Referência de Assistência Social (Creas), em Bauru, tomou conhecimento de 71 ocorrências de abuso sexual envolvendo este público, o que equivale a 17 registros a cada mês ou cerca de um caso dia sim dia não. Os números geram um alerta importante neste Maio Laranja, afinal, o mês é marcado pelo combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes (leia mais abaixo).
Para se ter ideia, o município registrou 251 ocorrências de abuso sexual contra crianças e adolescentes em 2019. O número subiu para 276 em 2020, quando a pandemia da Covid-19 teve início, o que corresponde a um aumento de 10%. Neste ano, de 1 de janeiro a 30 de abril, a prefeitura já tomou conhecimento de 71 casos do tipo.
Em relação à exploração sexual de crianças e adolescentes, na qual o sexo decorre de alguma troca, como dinheiro, presentes ou favores, houve 23 ocorrências em 2019, 23% a menos do que em 2020, quando o município catalogou 30 casos do tipo. Em 2021, de 1 de janeiro a 30 de abril, foram dois registros neste sentido.
Apesar de a maioria das vítimas de abuso e exploração sexual infanto-juvenil ter entre 7 e 17 anos, o município também registrou casos envolvendo crianças de 0 a 6 anos (veja o quadro).
Assistente social do Creas, Vanessa Queiroz Castro acredita que os números deste ano poderão se igualar aos de 2020. "Boa parte das denúncias começa a chegar a partir de maio, quando nós realizamos a campanha de combate ao abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes", explica.
COM A PANDEMIA...
A suspensão das aulas deixou este público em casa e, muitas vezes, os abusadores são membros da própria família das vítimas, que ficaram ainda mais vulneráveis a eles, levando ao aumento dos casos de violência.
Por outro lado, o confinamento também estreitou a relação de crianças e adolescentes com os demais moradores da casa, fato que deixou este público confiante o suficiente para denunciar. "Nós até esperávamos uma redução das queixas durante a pandemia, porque as vítimas se sentiam mais à vontade de reclamar para terceiros, principalmente, para os professores, mas a maior afinidade com a família reverteu a nossa expectativa", comenta a profissional.
O Creas, segundo Vanessa Castro, trabalha no sentido de reparar a violência e proteger as vítimas. O órgão, portanto, faz o diagnóstico das necessidades das mesmas e o consequente encaminhamento para os setores que podem ajudá-las, como o Centro de Atenção Psicossocial (Caps). O local oferece, entre outros serviços, a psicoterapia.
SERVIÇO
Para denunciar qualquer tipo de violência contra crianças e adolescentes, incluindo abuso e exploração sexual, basta entrar em contato com o Disque 100.