O senador Renan Calheiros, relator da CPI da Covid, reagiu à tentativa do governo federal, junto ao Supremo Tribunal Federal, de blindar o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello em depoimento ao colegiado. Em ofício enviado nesta sexta (14) à Corte Suprema, Renan afirmou que o general é 'peça fundamental' na prestação de informações sobre o 'colapso do sistema de saúde' e que a ausência de seu depoimento ou sua recusa em responder as perguntas dos parlamentares 'prejudicará sobremaneira' os trabalhos da comissão. "Negar-se a responder à CPI equivale a esconder do povo brasileiro informações cruciais para compreender o momento histórico, responsabilizar quem tenha cometido irregularidade e evitar que se repitam os erros que levaram à morte de quase meio milhão de brasileiros inocentes, até agora", frisou.
No ofício, Renan ressaltou que Pazuello é 'provavelmente a testemunha com o maior volume de informações' a prestar para a delimitação das investigações da CPI - considerando o tempo em que o militar passou à frente do Ministério da Saúde - e por isso foi convocado na condição de testemunha: "para cumprir seu dever legal e cívico de se pronunciar". Ao deixar o cargo, o general ligou sua demissão a um complô de políticos interessados em verba pública e 'pixulé'.
O senador registrou ainda que apesar de o ex-ministro estar 'receoso' de que respondendo às perguntas dos parlamentares 'possa se autoincriminar', todos seus direitos serão observados, entre eles o de não produzir prova contra si mesmo. Além disso, Renan apontou que a presença do advogado de Pazuello será assegurada, como ocorreu como o ministro Marcelo Queiroga e com o ex-secretário de Comunicação da Presidência Fabio Wajngarten.