09 de julho de 2026
Cultura

Contingenciamento decepciona e gera críticas no setor cultural

Ana Beatriz Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Após a decisão de contingenciamento (transferência) de R$ 1,4 milhão que seriam repassados para a realização de eventos culturais cancelados ou transferidos, a classe artística de Bauru demonstra descontentamento e faz críticas à medida, tendo em vista o momento delicado provocado pela pandemia. Conforme o JC Cultura noticiou, parte desta quantia deve ser remanejada para a continuidade do enfrentamento da Covid-19, especialmente nas áreas de saúde e assistência social, e a a outra será direcionada a editais da Secretaria de Cultura.

Com o Conselho Municipal de Política Pública Cultural inativo desde o início do ano e aguardando a continuidade do processo eleitoral (leia mais ao lado), o setor artístico cobra celeridade em editais e propostas que atendam às necessidades da classe. "Os artistas também têm família, despesas e, possivelmente, serão os últimos a sair desta situação. Seria mais inteligente que a verba desses eventos que não irão acontecer fossem aplicados em editais mais robustos para socorrer os fazedores de cultura que vêm sofrendo imensamente com a pandemia", afirma produtor cultural e um dos diretores da Sociedade Amigos da Cultura (SAC) José Vinagre.

Em uma audiência pública convocada pela vereadora Estela Almagro (PT), a secretária de Cultura, Tatiana Sa, que participou remotamente da sessão, apresentou à classe os próximos editais que serão realizados. O primeiro a ser lançado, diz Sa, é o edital 'Expedições - Cultura Caipira'. Depois, o 'Expedições - Memórias', o 'Artistas em Foco', e o 'Chamamento Artístico'.

O orçamento previsto para eles é de R$ 210 mil, sendo realizados de junho a novembro, todos com cerca de 150 artistas a serem contemplados pelos editais. Entre os do segundo semestre, estão os já tradicionais Projeto de Estímulo à Cultura (R$ 200 mil) e o Fepac (R$ 100 mil). "Sabemos da necessidade deles e, com a melhora da arrecadação, veremos a possibilidade de lançar outros editais. Também entregaremos um plano de ação com reformulações dos editais em relação às datas, tentando atender às solicitações do setor artístico após a audiência pública", afirma Tatiana Sa.

NOVOS EDITAIS

Paulo Tonon, do Coletivo Plano Conjunto de Audiovisual, também ressalta a reprovação da classe acerca da decisão, sobretudo neste momento de limitações para que os artistas possam manter seus rendimentos. "Assim como o comércio, a classe artística também movimenta a economia. Qualquer auxílio para nós seria reinvestido na própria cidade", comenta. "Nós esperávamos editais mais rápidos, fáceis e objetivos. O nome desses editais propostos também foram vistos de forma negativa, como as expedições que vieram desmatar e extinguir. Ao meu ver, com um valor sub-remunerado, quase R$ 500 para cada projeto, não conseguimos produzir com qualidade e nem nos manter. É difícil, ainda, criar as propostas baseadas em temas que eles pré-definiram", diz Tonon, que ainda ressalta sua decepção em relação à inexistência do Conselho Municipal de Política Pública Cultural, neste momento.

Para Caroline Ferreira da Silva, diretora do departamento de Ação Cultural, os temas definidos transpassam as produções artísticas e seguem a Agenda 2030. "Nossa intenção não é limitá-los, pelo contrário, trazemos o nome 'expedições' pensando, justamente, em ir além, explorar, abrir caminhos."

'NÃO FAZ SENTIDO'

A vereadora Estela Almagro afirma que a decisão foi vista com surpresa. "A demanda da classe artística é grande e eles também estão com muitas dificuldades. Não faz sentido deixar de investir uma verba que já era prevista para essa pasta e que os artistas tanto precisam. O correto seria mudar a destinação, mas não a pasta" diz.

Em relação à ultima audiência convocada por ela, Almagro pontuou que as próximas etapas serão definidas a partir da análise do plano de ações, que deve ser encaminhado pela secretaria. "As falas da secretária foram consideradas vagas e os valores insuficientes para atender a demanda da classe. Então, solicitamos esse planejamento para esclarecer aos artistas e fazermos uma reunião técnica com a presença da prefeita, que não esteve nas últimas audiências públicas, e da secretária Tatiana Sa", diz.