Outro dia, na coluna do leitor, um cidadão tentou justificar a não compra de vacinas pelo presidente dando como desculpa que o presidente não poderia comprar uma vacina sem liberação da Anvisa, inclusive essa é a "desculpa " oficial dos seguidores dele.
Ocorre que esse desculpa é furada, pois o governo federal, que alega não poder comprar a vacina que não tivesse sido aprovada pela Anvisa, não conta que comprou a vacina da AstraZeneca sem que ela sequer existisse, por algo em torno de dois bilhões e novecentos milhões de reais, assinou um contrato com a empresa, idêntico aos contratos da Pfizer, Janssen, com cláusulas idênticas, desculpas usadas para recusa da vacina da Pfizer na época.
Comprou também as vacinas do consórcio Covaxx OMS, que poderia ser para cinquenta por cento da população, mas optou por apenas dez por cento da população, mas comprou e a vacina ainda não existia também. Recentemente, o então ministro da saúde, General Pazuello, comprou vinte milhões de doses da vacina indiana Covaxin, que também não foi aprovada pela Anvisa e o laboratório também não tinha aprovação da Anvisa.
Portanto, não me venham com essas desculpas esfarrapadas para justificar o descaso do governo federal no tocante a vacina. Não comprou simplesmente porque não quis comprar, torcia para a imunidade de rebanho, que tantas mortes causou, dar certo e não precisar de vacina. Achava que não precisava comprar, pois teria fila na porta do governo de farmacêuticas implorando para comprarmos as vacinas deles, que a obrigação seria do fabricante, que deveriam fazer fila querendo vender para nós. Deu no que deu, sem vacinas, atraso na vacinação, mortes atrás de mortes, mortes que poderiam ter sido evitadas se houvesse realmente a preocupação do governo em vacinar a população.
A disposição do governo com a vacinação ficou clara em dezembro, quando o mundo começou a vacinar. Cobrado, o presidente debochou da ansiedade dos brasileiros e afirmou que a vacinação começaria em março, só começou em janeiro, graças ao governador Doria, que deu a largada, pois o ministério queria todas as dose entregues a eles para controlar o início e SP começou a vacinar com a parte que cabia ao estado e entregou as vacinas para o Brasil.