10 de julho de 2026
Articulistas

A tragédia da Covid-19 ajudará na evolução do ser humano?

Luiz Fernando Maia
| Tempo de leitura: 4 min

Não trataremos aqui do Darwinismo relacionado às ideias de transmutação de espécies, seleção natural ou sua evolução e sim da evolução moral, social e tecnológica que a humanidade deve experimentar após o Covid19.

Será que olhamos demais para os telescópios e de menos para os microscópios? Estamos habilitados para chegar a novos planetas e ainda muito longe de dominar o universo letal que habita dentro de nossos corpos ou no ar que respiramos. O ser humano nunca vai conseguir blindar seu corpo dos seres invisíveis?

A história da humanidade já comprovou que estes inimigos invisíveis conseguem matar mais que nossas guerras doentias. A Varíola atormentou a humanidade por 3 mil anos pelo vírus Orthopoxvírus variolae, transmitido de pessoa para pessoa, por meio das vias respiratórias (como a Covid-19). Teoricamente, e felizmente, erradicada em 1980 por vacinação em massa, no entanto, no ano de 2015 foi identificada no Alasca uma doença causada por um vírus que pertence ao mesmo gênero Orthopoxvirus.

A gripe Suína (H1N1) gerou a primeira pandemia mundial do século 21. Hoje conhecida como Influenza, pelas mutações do vírus, causa Pneumonia bacteriana e piora de doenças crônicas como insuficiência cardíaca, asma ou diabetes.

Seu contágio acontece a partir de gotículas respiratórias no ar ou em uma superfície contaminada. Seus sintomas são os mesmos de uma gripe comum: febre, tosse, dor de garganta, calafrio e dor no corpo. Estão sentindo um "Déjà vu" com a Covid-19? A Covid é a segunda pandemia que experimentamos no século 21 ou é apenas uma variante da primeira pandemia deste século, o H1N1, de 10 anos atrás?

A ciência ficou desatenta a sua evolução? Estou aqui, na confortável posição de somente questionar, pois não sou cientista, mas em minha condição de leigo, experimento a inevitável dúvida de que a ciência não acompanhou devidamente a potencial trajetória de variantes que o H1N1 viria experimentar e não agiu tempestivamente para evitar a catástrofe mundial que vivemos desde março de 2020.

Por isso, ainda na minha condição de leigo, sinto que a ciência não reagiu rápido ao criar a vacina da Covid-19, pois tudo indica que a Covid não era algo tão imprevisível aos cientistas e infectologistas. Até 1928 o médico tinha sua competência medida por quanto manchado de sangue estivesse seu avental. Era quase um "status" de cirurgião atuante, experiente.

Não fosse o lapso de Alexander Fleming, médico e bacteriologista escocês, de esquecer seu material de estudo com culturas de Staphylococcus sobre a mesa enquanto saía de férias, não descobriria uma substância capaz de eliminar diversas bactérias, como o Staphylococcus que estudava. Esta substância veio a se chamar "penicilina" e só tornou-se acessível a toda população 12 anos mais tarde.

Em 2020, ou seja 92 anos após a descoberta da penicilina, primeira arma eficaz a uma das espécies de inimigos invisíveis do corpo humano (bactérias), será que vamos precisar de uma outra descoberta ao acaso da ciência para erradicar ou termos a cura de todos microrganismos letais ao ser humano?

Não vencemos os seres invisíveis a olho nu que possuem uma única célula (unicelulares) e ousamos a clonar um ser vivo pluricelular, composto de 10 trilhões de células, como a ovelha Dolly? Para mim, a lição que a Covid-9 deixa, às custas do sofrimento terrível da humanidade, é que nossos cientistas devem voltar a focar na preservação e prolongamento da vida humana, antes de reproduzi-la artificialmente, conquistar o espaço.

Toda a evolução tecnológica, por óbvio, deve prosseguir, mas, novamente, como ignorante na ciência, indago: não deveria ser a vida humana a razão existencial da ciência. Não deveria ser priorizada a continuidade da existência do ser humano?

O mundo, em especial as grandes potências, investem o suficiente em pesquisas na área da microbiologia, comparado ao que investem nas demais áreas?

Por que ainda não viabilizamos a cura de doenças que assolam a toda população mundial? Será que o egoísmo do homem pode chegar ao cúmulo de criar uma seleção natural da sobrevivência somente àqueles que tenham recursos financeiros para acesso as conquistas científicas?

Os indícios parecem ir em direção a esta aberração, no momento que a quebra de patente das vacinas da Covid-19 ainda é tema de discussão, enquanto parte da população é dizimada pelo vírus.

O mínimo de solidariedade que se esperava do ser humano é que todo processo de vacinação fosse resultado de uma união global, sem distinção de fronteiras e já estivesse em fase final de execução.

São mais indagações que afirmações que trago acima, da mesma forma que também encerro com uma interrogação quanto a evolução do ser humano no cenário pós pandemia.

O autor é advogado em Bauru