Tel-Aviv - No sétimo dia de confrontos entre Israel e Hamas, ataques aéreos israelenses na madrugada de domingo (16) mataram ao menos 42 pessoas, incluindo 10 crianças, de acordo com autoridades de saúde de Gaza. Trata-se da ação mais letal desde que o conflito estourou.
As Forças Armadas de Israel afirmam que as baixas civis não foram intencionais e que as ações miravam um sistema de túneis usado por militantes radicais. Do outro lado, militantes palestinos dispararam foguetes contra Israel, no que o Exército do país diz ser a onda mais intensa de lançamentos de projéteis já realizada contra seu território. Agora, o número de mortos em Gaza, desde o início dos combates, chegou a 188, incluindo 55 crianças.
SEM TRÉGUA
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que a campanha militar continuará com força total. A ONU já fez três apelos para o cessar-fogo mas nenhuma das partes aderiu. O Hamas, grupo islâmico que comanda a Faixa de Gaza, afirmou que continuaria com os confrontos na fronteira depois de o Exército israelense destruir, no sábado, um prédio que abrigava as operações da agência americana de notícias Associated Press e da TV qatari Al Jazeera.
A CAUSA
O Hamas iniciou os atuais confrontos no dia 10, após semanas de tensão em torno de um processo judicial para despejar quatro famílias palestinas em Jerusalém Oriental e em retaliação aos confrontos entre a polícia israelense e palestinos na mesquita de Al-Aqsa, o terceiro local mais sagrado do islã.
Israel reivindica toda Jerusalém como sua capital, um status geralmente não reconhecido por grande parte da comunidade internacional, enquanto os palestinos querem Jerusalém Oriental capturada pelos israelenses na Guerra dos Seis Dias, em 1967 como a capital de um futuro estado.
EUROPA
As manifestações pró-palestinos preocupam governos. "Não vamos tolerar a queima de bandeiras israelenses em solo alemão nem ataques a instalações judaicas", declarou o ministro do Interior alemão (responsável por segurança), Horst Seehofer.
Num país marcado pela perseguição nazista aos judeus, manifestações antissemitas de qualquer grau são consideradas crime e a violência deve ser punida com "toda a força da lei", afirmou nesta segunda (17) Wolfgang Schäuble, presidente do Bundestag (equivalente à Câmara dos Deputados).
O governo britânico também prendeu quatro manifestantes que atravessaram uma região de Londres onde se concentram judeus gritando, entre outros insultos, que iriam "estuprar suas filhas". Eles serão investigados por "crimes contra a ordem pública racialmente agravados".
Ontem (17), o prefeito de Londres, Sadiq Khan, afirmou na TV que elevou policiamento na cidade "para tranquilizar os londrinos, especialmente aqueles de comunidades judaicas".
Na França, país onde convivem a maior população muçulmana da Europa (quase 6 milhões de pessoas, ou 8,8% da população) e a terceira maior comunidade judaica do mundo (cerca de 550 mil pessoas, atrás de Israel e EUA), a polícia conseguiu na Justiça a proibição das manifestações.