09 de julho de 2026
Geral

Sobrevivente de 2 acidentes graves morre de Covid-19

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

Luiz Manoel Ilhesca "viu a morte de perto" em 2014, quando seu carro foi destruído por um eucalipto de mais de 20 metros. Dois anos depois, ele "nasceu de novo" mais uma vez, ao conseguir escapar de um Mercedes engolido pela correnteza do Rio Batalha, após a queda de uma ponte na rodovia que liga a Bauru e Piratininga, durante um temporal. Contudo, o sobrevivente desses dois acidentes graves e que estamparam as páginas do JC (leia mais abaixo) não conseguiu escapar da Covid-19. No último no domingo (16), aos 59 anos, Luiz Manoel se tornou mais uma vítima da pandemia em Bauru.

"Ele já escapou de tantas coisas, que estávamos esperançosos de que sairia fácil dessa também. Infelizmente, não teve sorte", lamenta o filho Luiz Alfredo Azzi Ilhesca, 36 anos.

Corretor de imóveis, Luiz Manoel Ilhesca era morador do Jd. América, em Bauru, mas muito conhecido em Piratininga, onde morou por anos. "Por causa da preocupação com a Covid, estava mais caseiro. E guardava grande expectativa com a vacinação, porque a faixa etária dele estava próxima, batendo na trave", comenta o filho. 

INTERNAÇÃO

Diagnosticado com Covid-19 na primeira semana de maio, Luiz Manoel Ilhesca não apresentava sintomas e fez o teste apenas pelo contato que teve com um conhecido infectado. Com o alerta aceso, fez repouso, preparou-se comprando oxímetro e, no primeiro sinal de que algo não ia bem, procurou o hospital, seguindo à risca todas as recomendações das autoridades em Saúde. Tanto cuidado, contudo, não evitou o pior.

Da descoberta da doença até a morte não se passaram 15 dias. "Ele estava com tosse e procurou o hospital, mas foi medicado e voltou para casa. Um dia depois, voltou ao hospital e acabou internado com saturação abaixo dos 90", narra Luiz Alfredo.

Dois dias depois, ele já havia sido transferido para o Hospital Estadual, onde foi intubado, na noite da última quinta (13). "Conversamos por WhatsApp e ele contou apenas que seria intubado. Foi a última vez que nos falamos", diz o filho.

Luiz Manoel não tinha comorbidades e não era considerado sedentário pela família. "Ele era ciclista, pedalava mais de 40 quilômetros em um dia, e fez jiu-jitsu também. Essa balela de histórico de atleta nunca colou. A Covid pode matar qualquer um", comenta Luiz Alfredo.

A família conta ainda que seguia precauções. "Quando nos encontrávamos, seguíamos um ritual de cuidados com o uso de máscaras, do álcool e do distanciamento", detalha o filho.

Apaixonado pela família, Luiz Manoel deixa cinco filhos - Natalia, 37 anos, Luiz Alfredo, Milena, 20 anos, Roberto, 14 anos, e Manoella, 6 anos -, além da esposa Michele Farah e dois netos. O enterro ocorreu no Cemitério Jardim do Ypê.