11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Preço do etanol passa de R$ 4,00, mas associação de produtores prevê queda

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 3 min

Nos últimos dias, os bauruenses viram o preço do etanol nas bombas ultrapassar a margem inédita de R$ 4,00, deixando até de ser mais vantajoso que a gasolina. Este cenário, contudo, deve mudar até junho, segundo o que prevê a Associação dos Plantadores de Cana da Região de Jaú (Associcana). Segundo a entidade, o período de entressafra da cana-de-açúcar terminou em março e as colheitas realizadas a partir de abril, mesmo menores em razão da estiagem prolongada, vão aumentar a oferta do produto no mercado, gerando a tão esperada redução de preços. Para a Associação dos Revendedores de Combustíveis de Bauru e Região, contudo, a alta no etanol pode continuar pressionada por outros fatores (leia mais ao lado).

Nesta terça-feira (18), o JC percorreu alguns postos de combustíveis no município e os preços praticados variavam de R$ 4,08 a R$ 4,19 para o etanol comum e de R$ 5,19 a R$ 5,42 para a gasolina comum.

Presidente da Associcana, Eduardo Vasconcelos Romão explica que o aumento do etanol foi puxado por uma série de fatores. Além do período de entressafra, que começou em dezembro e terminou no fim de março, o preço foi alavancado pela alta na taxa de câmbio e aumento do valor do petróleo, que disparou o custo da gasolina nas bombas.

Com isso, muitos consumidores migraram para o etanol, o que provocou uma pressão no comércio do produto justo no período de entressafra, empurrando o preço dos estoques para cima.

SAFRA MENOR

Apesar de a projeção da safra de 2021, que ocorre entre abril e dezembro, não ser uma das melhores em termos de volume em razão da estiagem prolongada, a associação diz que, mesmo assim, espera um arrefecimento no mercado. A produção nacional deve ser de 24 bilhões de litros em 2021.

"A seca foi grande e enxugou a produção de cana. O início da safra em abril foi menos vigoroso e mais lento do que no ano passado. A cana era para estar com aspecto de 12 meses, mas, fisiologicamente, ela estava com 10 meses, porque faltou água. Então, a safra ficou 10% menos produtiva", comenta Romão, detalhando que cada hectare do canavial produz, normalmente, uma média 80 toneladas de cana.

Ele ressalta, contudo, que a redução na safra não impactará na produção de etanol, mas sim de açúcar. "A seca foi do Tietê para baixo e no Paraná, que são as regiões que concentram mais as usinas que fazem açúcar. Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais, por exemplo, não tiveram tanto impacto, o que ajudará o volume voltar ao normal", avalia.

"Fora isso, tem a produção do etanol de milho e o de segunda geração, que também ajudarão a aumentar essa oferta no mercado. São 450 usinas processando etanol 24 horas Brasil afora. Então, o valor deve afrouxar com o volume maior disponível e o consumidor terá a oportunidade de voltar da gasolina para o etanol", acrescenta o presidente da Associcana.

DEMORAR MAIS

Eduardo Vasconcelos Romão acredita, contudo, que a redução nos preços dificilmente ocorrerá na mesma velocidade em que os aumentos foram praticados.

"Para o produtor, já caiu, mas, ao longo da cadeia de produção, pode haver apropriação de margem. Então, o preço acaba demorando mais para ser alterado na bomba", cita.