Não é de hoje que creches, escolas, postos de saúde, poços de captação de água e inúmeros outros prédios públicos municipais, em Bauru, sofrem com furtos e vandalismos. Contudo, a situação está ainda pior, escancarando uma variável cultural, que envolve a ideia de "o público não me pertence", além do empobrecimento da população com a pandemia da Covid-19 (leia mais na página ao lado). Para se ter ideia, as ocorrências deste início de 2021 quase superam as de 2020 inteiro, conforme dados apresentados na Câmara de Vereadores. No último quadrimestre, a prefeitura registrou 129 casos do tipo e, nos 12 meses do ano anterior, houve 133.
Os números preocupam autoridades e diferentes órgãos, justamente pelos prejuízos causados a todos. O DAE, por exemplo, explica que os ataques nos poços de captação de água deixam as suas respectivas regiões desabastecidas, além dos custos envolvidos nos reparos.
O tema foi levantado na Câmara pelo vereador Júnior Rodrigues (PSD), que cobrou maior consciência por parte dos munícipes, bem como mais rigor na fiscalização dos ferros-velhos. "Muitas empresas do ramo adquirem os itens subtraídos dos espaços públicos para revender", justifica.
O parlamentar, inclusive, notificou o município quanto à necessidade de maior fiscalização dos ferros-velhos. Rodrigues quer, ainda, uma reunião com as polícias Civil e Militar para convergir todas as ações em busca de coibir o problema, que tem como alvo, principalmente, as escolas e os poços de captação de água.
A prefeitura, através da sua assessoria de comunicação, reconhece o aumento dos casos de furto e vandalismo nos prédios municipais e diz que pretende "seguir com o trabalho de monitoramento dos locais para evitar esses atos".
O Executivo reforça que, no caso das escolas municipais, todas as unidades contam com um sistema de monitoramento com câmeras de segurança e alarme, além da Ronda Escolar, responsável por monitorar esses prédios.
Questionado sobre a fiscalização dos ferros-velhos, o município informa que "os fiscais da Seplan vistoriam as empresas para verificar se possuem ou não alvará".
A fiscalização ocorre mediante visitas de rotina ou queixas da população. A prefeitura pede, inclusive, que os munícipes denunciem através dos e-mails ouvidoria@bauru.sp.gov.br ou fiscalizacao@bauru.sp.gov.br.
GRAVE PROBLEMA
O DAE se mostra bastante preocupado com a onda de ataques, que chegou a afetar um único poço de captação de água, o Val de Palmas, duas vezes em um intervalo de apenas dois dias (leia mais ao lado).
Em nota, a autarquia considera esse aumento de furtos um grave problema. "Além de gerar custos e deslocar uma equipe de trabalho para reparar os danos, os furtos deixam as regiões desabastecidas no período em que os consertos são realizados", complementa.
Para se ter uma ideia da preocupação, o DAE estuda até mesmo possibilidade de equipar as suas instalações com câmeras e alarmes, mas ainda não abriu qualquer licitação nesse sentido. Enquanto isso não acontece, o órgão pede que a população denuncie as ações de vândalos sempre que possível através do 0800-7710195.
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