10 de julho de 2026
Política

À CEI, Gazzetta atribuiu ao clima e dinheiro não cumprimento de Plano

Tânia Morbi
| Tempo de leitura: 2 min

O ex-prefeito de Bauru Clodoaldo Gazzetta prestou depoimento nesta quarta-feira (26) à Comissão Especial de Inquérito (CEI), instaurada no Legislativo para apurar a não implantação do Plano Diretor de Água (PDA). Em uma das audições mais rápidas entre os participantes ouvidos, reafirmou o valor necessário de R$ 500 milhões para implantação do PDA; que um dos maiores entraves da autarquia é a deficiência técnica de alguns setores, e ainda que para tornar o DAE eficiente é necessário transformar a autarquia em uma empresa mista.

Gazzzeta destacou algumas das ações promovidas durante sua gestão, que constam do PDA, como a setorização da rede de distribuição de água, mas atribuiu à crise hídrica de setembro a novembro de 2020 o empecilho para outras obras. "Não dá para desassociar, o que aconteceu está acima do que havia ocorrido nos últimos 20 anos", mencionou.

Embora tenha afirmado que em sua gestão foram trocados mil hidrômetros, a experiência prática, segundo o ex-prefeito, mostrou que o DAE não tem mão de obra para fazer a troca, estimada em 100 mil equipamentos, como medida de perda de receita financeira, também prevista no PDA.

No mês passado, o atual presidente, Marcos Saraiva, anunciou a compra de 22 mil hidrômetros para troca, em cerca de um ano, com substituição estimada de 2 mil por mês por equipes próprias.

Para Gazzetta, a terceirização do DAE não vai resolver os problemas de abastecimento. "Eu pensaria hoje em transformar o DAE por meio de um novo modelo organizacional, uma nova estrutura técnica, mas sem deixar de ser público. A solução é transformar em empresa de economia mista, para que tenha capacidade de investimento", afirmou.

Antes de Gazzetta, foram ouvidos os ex-presidentes da autarquia André Luiz Andreoli (2010/2011) e João Carlos Herera (março e abril de 2019), ambos com passagens rápidas pela autarquia, mas com grande experiência no setor e a mesma opinião sobre possíveis caminhos para a solução dos problemas da autarquia, especialmente a profissionalização da gestão como alternativa para a terceirização do serviço.

"Nem sempre a solução da concessão resulta em melhorias. Se uma empresa privada assumir, e tudo envolve redução de custos, o serviço tende a ficar pior. Mas há necessidade muito forte que se altere a cultura interna de quem opera lá dentro como funcionário de carreira", afirmou André Luiz.

João Carlos citou exemplo da Sabesp que, em vias de ser privatizada, em 1994, recebeu um choque de gestão. "A empresa pública bem gerida dá resultados", avaliou.

NOVA DATA

Foi reagendada para o dia 7 de junho, às 9h, a oitiva com o diretor-presidente da Hidronas Engenharia, Luiz Di Bernardo, a empresa foi responsável pela elaboração do PDA, ao custo de R$ 1,3 milhão aos cofres públicos.