21 de março de 2026
Coluna Animal

Leishmaniose Visceral Canina


| Tempo de leitura: 3 min

A Coluna Animal dessa semana vai abordar uma doença muito comum e bastante conhecida em nossa região, a leishmaniose. A leishmaniose visceral (LV), ou calazar, é uma doença crônica grave, potencialmente fatal para cães e também seres humanos. Ela acomete cães, gatos e alguns mamíferos silvestres, como raposas e marsupiais (hospedeiros). Também afeta seres humanos, e por isso é caracterizada como uma zoonose.

A médica veterinária Silvia C. N. C de Medeiros (@silvianmvet) é quem traz explicações sobre essa enfermidade. De acordo com Sivlia, existem dois tipos mais comuns de leishmaniose. A cutânea e a visceral (essa última, podendo ser fatal). A leishmaniose visceral é transmitida pela picada da fêmea do mosquito palha (Lutzomya longipalpis). Geralmente, a LV (leishmaniose visceral) está associada às áreas semiáridas, de cerrado, como exemplo cidade de Bauru, cuja localização se encaixa nessas características, se tornando uma área endêmica para a enfermidade. Originalmente, é uma doença típica de zonas rurais e periurbanas. Esse mosquito tem hábitos crepusculares (pica no entardecer) e também vive em lugares onde se tenha matéria orgânica, como lixos orgânicos, terrenos onde se jogam restos de comida, viveiros (cujas fezes de animais não são recolhidas adequadamente) e lugares onde se tenham árvores frutíferas, cujas frutas e folhas estão caídas no chão e apodrecem.

Existem medidas para prevenir a doença? Sim. As formas de prevenção mais eficazes em cães são a vacina Leishtec e também o uso de coleira repelente (a base de flumetrina ou deltametrina ou permetrina) ou pipetas específicas contra o vetor. Apenas uma forma de prevenção não consegue atingir a plenitude de eficácia contra a doença e seu modo de transmissão. O ideal é fazer as duas formas, tanto a coleira ou pipeta quanto a vacina. Lembrando que gatos não podem fazer o uso da vacina, porém podem e devem usar apenas a coleira repelente indicada (Seresto). A melhor e mais barata forma de combater a leishmaniose é a prevenção, limpando sempre os locais de moradia desses animais, fazendo exames de rotina, usando a coleira ou pipetas repelentes e o uso da vacina. Só assim conseguiremos acabar com essa doença silenciosa e potencialmente destruidora.

Quais sintomas o tutor deve ficar atento? Os sintomas, nos animais, não são tão específicos e também comuns a outras enfermidades, por isso se deve ficar atento se o animal apresentar perda de peso repentina e constante, febre, desânimo, onicogrifose (crescimento exagerado das unhas), machucados nas pontas das orelhas, alopecia (perda dos pelos) em todo o corpo (mais comuns no focinho, patas e ao redor dos olhos).

Fique atento, pois o exames de diagnóstico para leishmaniose não são 100 % eficazes, quando feitos isoladamente e no tempo incorreto, devendo os exames para diagnóstico correto, fazer parte dos exames rotineiros pedidos pelo médico veterinário responsável pelo animal.

É uma doença silenciosa, os animais podem apresentar sintomas entre 2 até 12 meses após serem infectados.

E quanto ao tratamento do canino infectado? Silvia orienta que existem vários protocolos de tratamento para a doença e isso depende do estadiamento dela (fase em que a doença já prejudicou alguns órgãos do hospedeiro) e também do poder aquisitivo do tutor para se escolher os melhores recursos terapêuticos.

O Conselho Municipal de Proteção e Defesa Animal (Comupda) e Comissão de Proteção e Defesa Animal de Bauru (CPDA OAB Bauru) orientam que, colocar tela nas janelas e portas, onde o animalzinho diagnosticado com a leishimaniose fica, é uma das medidas que podem ser utilizadas para não por em risco a saúde pública. E ainda, que um tutor responsável, com um certa freqüência, deve levar seu animalzinho para um consulta com o médico veterinário, sendo somente este, o profissional capacitado conforme a lei, para fazer uma avaliação, prescrever medicamentos e tratamentos.

Thais Viotto.

Presidente da Comissão de defesa e proteção animal da OAB Bauru e do Conselho Municipal de Proteção e Defesa dos Animais.