Crianças e adolescentes são mais suscetíveis a desenvolver dependência tecnológica, porque o córtex pré-frontal, parte do cérebro ligada ao controle dos impulsos e concentração, ainda não está completamente formado, explica o psicólogo Cristiano Nabuco, coordenador do grupo da USP. Ele conta que já houve casos de pacientes no Instituto de Psiquiatria que urinavam nas calças e não dormiam porque não conseguiam abandonar os jogos. Um deles ficou conectado por 55 horas. "Não tem mais 'game over'. Se você sai do jogo, desassiste colegas e sofre represálias", diz. O jogo libera dopamina no cérebro, substância que dá sensação de prazer e bem-estar, explica a psicóloga Anna Lucia King, fundadora do Instituto Delete, núcleo especializado em "detox" digital da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O cérebro aprende de onde obteve as sensações e quer voltar a repetir o comportamento. "O jogo foi feito para viciar. E as redes sociais são como um joguinho - ganhar uma curtida é como ganhar a etapa de um jogo. Dá muito prazer", explica a especialista.