08 de julho de 2026
Internacional

Peru decide presidente dividido em extremos

FolhaPress
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Lima - Depois de um período presidencial (2016-2021) marcado por atropelos institucionais e com quatro titulares no comando, o Peru joga a sorte numa eleição polarizada e incerta que tem tudo para prorrogar a instabilidade.

Neste domingo (6), num dos piores momentos da pandemia no país, os peruanos vão às urnas para decidir, em segundo turno, entre o outsider esquerdista Pedro Castillo e a ex-congressista Keiko Fujimori, filha de um autocrata. Segundo a pesquisa mais recente, do instituto Ipsos, há um empate técnico. Castillo aparece com 51,1% dos votos, e Keiko, com 48,9%. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais. É preciso lembrar que ambos passaram ao segundo turno com votação baixa - Castillo com 19% e Keiko com 13%, num cenário fragmentado em que havia, ainda, outros 16 candidatos.

Quando a campanha para o segundo turno começou, Castillo chegou a abrir mais de 10 pontos de vantagem. Keiko, porém, conseguiu apoios de alguns setores mais de centro e da direita e diminuiu a margem de vantagem do líder.

Os institutos de pesquisa, porém, reforçam que a rejeição, chamada no Peru de "antivoto", pode não permitir que os candidatos tenham somado muito mais eleitores na reta final. Segundo o instituto Datum, 48% disseram que jamais votariam em Keiko; enquanto 42% afirmaram que nunca escolheriam Castillo.

Para Mike Reid, colunista da revista britânica The Economist e especialista em Peru, ambos "podem não durar muito [no cargo], porque estão prometendo coisas que não vão poder entregar".