09 de julho de 2026
Nacional

É direito do paciente não revelar o seu diagnóstico, afirma médico


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O médico Angelo Vattimo afirma que é direito do paciente não revelar o seu diagnóstico. Ele explica que no caso do atestado para tomar a vacina contra Covid, é necessário colocar a Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde, que identifica a condição da pessoa. Mas em um atestado médico para justificar a ausência de um funcionário no trabalho, por exemplo, a CID só é colocada se o paciente consentir.

Vattimo também acredita que houve uma generalização do uso da palavra comorbidade. "Comorbidade não é sinônimo de pessoa debilitada." A ansiedade para se vacinar, relatos de fraudes e até venda de atestados falsos, inflamam ainda mais o debate, de acordo com o médico.

Advogados consultados pela Folha explicam que o constrangimento de ser questionado acerca da vacinação nas redes sociais não chega a configurar um crime. No entanto, caso haja uma acusação ou imputação, a situação pode mudar, como explica Leandro Sarcedo, presidente da Comissão de Direitos e Prerrogativas da OAB São Paulo. "Quando alguém afirma publicamente que outra pessoa está usando um atestado falso, isso é calúnia, e cabe, sim, um processo", diz.

Para a professora de antropologia da USP Ana Lúcia Pastore Schritzmeyer, viver em um país onde há escassez de vacinas faz com que pessoas se sintam no direito de cobrar e desconfiar de um grupo vulnerável, colocando os outros em posição de maior vulnerabilidade.

"O que seria fundamental são campanhas que conscientizem que reconhecer essas comorbidades coloca quem está em desvantagem em pé de igualdade com os demais."