08 de julho de 2026
Nacional

Só Brasil e Iêmen demoram a aderir a protocolo ambiental

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - A demora do Brasil em ratificar um acordo internacional para reduzir os gases de efeito estufa tem impedido a indústria local de receber até US$ 100 milhões - ou mais de R$ 500 milhões - em recursos para a preservação do ambiente. O dinheiro sairá do Fundo Multilateral para Implementação do Protocolo de Montreal reservado para o período de 2021 a 2023.

O acordo é chamado de Emenda de Kigali e define um cronograma de redução da produção e do consumo dos gases hidrofluorocarbonetos, usados nos aparelhos de ar condicionado, geladeiras e freezers. O texto precisa ser ratificado pelo Congresso Nacional. Neste sábado (5), Dia do Meio Ambiente, a emenda completa três anos de tramitação na Câmara. No período, passou por todas as comissões, mas aguarda há mais de um ano pela votação em plenário.

A aprovação do texto na Câmara e também no Senado é condição para que o Brasil tenha acesso ao montante disponibilizado pela ONU (Organizações das Nações Unidas). Antes de ratificar o compromisso, o país pode receber aproximadamente R$ 2 milhões para preparar a regulamentação da emenda. Porém, para isso, seria necessário o governo brasileiro encaminhar um comunicado à ONU sinalizando que o acordo será validado pelo Congresso.

Dos 144 países em desenvolvimento, apenas Brasil e Iêmen não fizeram essa manifestação, segundo a Rede Kigali, que reúne organizações a favor do protocolo. Em setembro deste ano, o fundo deve concluir os cálculos de quanto os países em desenvolvimento vão receber. Especialistas da área temem que a ausência de manifestação prejudique o acesso do Brasil aos recursos.

Se aderir à emenda de Kigali, o Brasil passará por um processo de transição para redução dos gases hidrofluorocarbonetos. Em 2024, o país terá de travar o consumo desses gases com base na média de 2020 a 2022. Depois, terá de reduzir o consumo gradativamente a partir de 2029, com queda de 10%, e em 2045 deverá ter diminuído em 80% em relação à média inicial.

Embora não causem danos à camada de ozônio, esses gases dos aparelhos de refrigeração têm elevado potencial de efeito estufa. Os mais usados podem ser até 2.000 vezes mais prejudiciais do que o dióxido de carbono.

Ainda não há previsão de quando a emenda de Kigali será votada pelos deputados. Em abril, representantes do setor entregaram um manifesto com mais de 1.200 assinaturas pedindo urgência ao presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Para o presidente da Frente Ambientalista, deputado Rodrigo Agostinho (PSB-SP), falta articulação do Ministério do Meio Ambiente e do governo para o acordo sair da gaveta e ser pautado no plenário da Casa.