10 de julho de 2026
Geral

Apesar de não reajustar plantão desde 2014, Saúde vai tentar atrair médicos

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Diante do cenário alarmante e da crescente dificuldade em preencher as escalas de plantões nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), o que impacta diretamente na qualidade e agilidade para prestação de assistência à população, o secretário municipal de Saúde, Orlando Costa Dias, informou que pretende agendar uma reunião com os médicos que trabalham nestes locais, contratados via Fundação Estatal Regional de Saúde da Região de Bauru (Fersb).

O titular da pasta, que também é o vice-prefeito da cidade, destacou que, desde 2014, a remuneração pelo plantão de 12 horas, de cerca de R$ 1,5 mil, não é reajustada, o que ajuda a reduzir o número de médicos interessados no trabalho. Apesar de reconhecer que, neste momento, não há recursos em caixa para oferecer valores muito superiores, Dias reitera a necessidade de abrir diálogo com a categoria, inclusive sobre outras demandas.

CIDADES MENORES

Ele cita, por exemplo, que, diante do caos gerado pela pandemia, aumentaram os episódios de ameaça e violência contra os profissionais, o que também acarreta em desinteresse em atuar nos plantões. De forma geral, eles têm optado por atuar em cidades menores da região, onde os conflitos e o volume de trabalho são menores, mesmo que a remuneração não seja igual à oferecida por Bauru.

"Por isso, nesta reunião que devo fazer, quero ouvir quais são as reivindicações dos médicos das UPAs. Se conseguirmos, por exemplo, garantir a segurança das equipes através da empresa que faz a vigilância das unidades, já melhora as condições de trabalho, porque os profissionais estão cansados, desgastados. Porém, também podemos rediscutir o valor do contrato com a Fersb", frisa.

O secretário lembra, aliás, que os contratos com a Fundação para a atuação de médicos nas UPAs Ipiranga e Bela Vista vencem no final deste mês e a possível renovação do convênio já está em discussão. Neste momento, até mesmo uma prorrogação temporária da parceria com a Fersb e eventual abertura de licitação para contratação de outra Organização Social não estão descartadas.

ESPERA

Conforme o JC noticiou, associada ao alto número de casos do novo coronavírus na cidade, a escassez de médicos é um dos motivos que têm levado à superlotação das UPAs, problema que se intensificou após o feriado prolongado de Corpus Christi, quando as UBSs, até mesmo as sentinelas da Covid, ficaram fechadas. Na ocasião, a espera para passar por atendimento médico chegou a seis horas.

E, passado o fim de semana, a fila de pessoas aguardando vaga por internação, outro fator que gera grande preocupação, não diminuiu. Na noite desta terça-feira (8), 72 pessoas estavam na lista de espera em unidades de urgência e emergência. De acordo com o secretário de Saúde, a maioria era de pacientes com suspeita ou diagnóstico de Covid-19.

Muitos doentes com outras enfermidades, porém, seguiam aguardando no mesmo ambiente, o que tem gerado angústia entre familiares. "O número de cirurgias eletivas diminuiu durante a pandemia, então, muitos destes pacientes com outras doenças evoluíram para um quadro grave durante este tempo em que estas cirurgias foram adiadas", frisa, destacando que o problema também é agravado pela falta crônica de leitos hospitalares em Bauru.

CENTRO DE TRIAGEM

Como estratégia para tentar reduzir o contato de infectados pelo novo coronavírus com os demais pacientes, a secretaria planeja tornar o Centro de Triagem para Covid da UBS do Geisel - que funciona atualmente de segunda a sexta, das 8h às 17h - uma unidade de atendimento 24 horas. Orlando Costa Dias explica que esta UBS já está cadastrada como sentinela da Covid-19 junto ao governo federal, assim como as unidades da Vila Falcão e do Mary Dota, o que facilita o recebimento de recursos.

Ainda de acordo com ele, a maior dificuldade, porém, é conseguir contratar médicos para os turnos da noite e finais de semana. Mesmo assim, o secretário afirma desejar colocar o serviço em funcionamento ainda nesta semana. "Assim, estas pessoas precisarão ir para as UPAs somente quando houver necessidade de internação", acrescenta.