Em discurso no Ibirapuera em São Paulo diante de millhares de apoiadores, após participar de uma motociata neste sábado (12), o presidente Jair Bolsonaro voltou a atacar as políticas de isolamento e disse comandar um governo que acredita em Deus, é leal à população e que respeita os militares.
Bolsonaro também rasgou elogios aos policiais militares paulistas que trabalharam na segurança do evento e disse que que tinha certeza que a PM estaria junto a ele no "cumprimento da lei e da ordem", expressão que geralmente utiliza ao ameaçar que tomará medidas contra o isolamento social.
"Vocês são auxiliares das Forças Armadas. Tenho certeza que, no cumprimento da lei e da ordem, pelo cumprimento dos dispositivos constitucionais, nós estaremos juntos, aconteça o que acontecer", disse o presidente, em clara provocação ao governador João Doria (PSDB), seu adversário político e chefe da PM do Estado.
Bolsonaro diz não estar em campanha eleitoral e falou em "problema sério do vírus", voltando a equipará-lo ao desemprego. Disse que nunca se curvou à pandemia e mais uma vez sugeriu uma regra para dispensar o uso de máscara. "Eu autorizo", gritaram em resposta os seus apoiadores.
Alvo de investigação da CPI da Covid no Senado, o presidente de novo defendeu o tratamento precoce, citando a cloroquina, e atacou as políticas de isolamento contra a pandemia, em ataque direto a Doria. "Fora, Doria", responderam os apoiadores em mais de um momento. Bolsonaro ainda chamou o tucano de ditador, por ter decretado toque de recolher, e o desafiou a participar de um evento como a motociata.
"Quando vamos no artigo 5º da Constituição, que é o capítulo das cláusulas pétreas, entre as dezenas de incisos, encontramos o direito ao trabalho, coisa que o governador de vocês retirou de vocês quando tirou de vocês. O direito de ir e vir, quando o governador que se diz democrata mas é um ditador, decretou toque de recolher."
Ainda sobre a pandemia, disse que nunca mandou fechar as igrejas. E citou de novo que atua dentro das "quatro linhas da Constituição".
E voltou a falar em supernotificação de mortes por coronavírus, o que já lhe rendeu um desmentido nesta semana pelo TCU (Tribunal de Contas da União).
O uso de máscaras entres os apoiadores de Bolsonaro que compareceram ao Ibirapuera nesta tarde foi maior do que entre os motociclistas que se reuniram pela manhã para a motociata, onde a máscara era um item quase inexistente.
No Ibirapuera, uma parcela significativa não usava, e parte utilizava incorretamente, sem proteger o nariz. Entre os que estavam de máscara, eram raras as de PFF2, mais seguras. A reportagem viu apenas algumas pessoas com este tipo de máscara.
Os apoiadores acompanharam o discurso do presidente na praça do Monumento às Bandeiras. Cerca de metade da praça estava ocupada. Muitos dos presentes utilizavam camisetas e bandeiras do Brasil ou camisetas de apoio ao presidente.
Entre os dizeres de algumas das camisetas utilizadas por apoiadores -e que podiam ser compradas em diferentes pontos do local-, estavam "Bolsonaro presidente 2022", "meu partido é o Brasil", "O Brasil é nosso, desistir jamais", "o Brasil que queremos só depende de nós".
No discurso, todo de improviso, o presidente prometeu de novo liberar motociclistas de pedágios em novas concessões de rodovias e voltou a falar sobre a trajetória que o levou ao Palácio do Planalto em 2018, inclusive da facada em Juiz de Fora.