Rio - Após receberem a segunda dose da vacina contra a Covid-19, idosos começam a fazer planos para retomar antigos hábitos de consumo. Uma das metas é voltar a viajar. Mas, enquanto a pandemia não dá trégua no País, parte do público sênior adota cautela e restringe deslocamentos a atividades consideradas essenciais.
É o caso de Renata Tonte, 72 anos. Vacinada no início do ano, a moradora de São Paulo pretende viajar quando as condições sanitárias indicarem maior segurança. Enquanto isso, ela evita aglomerações e procura sair de casa somente para ir ao médico.
Idosos integram o grupo prioritário da vacinação no País. Entretanto, ainda não há dados disponíveis para medir o eventual impacto da imunização nos hábitos de consumo dessa faixa etária, relata Layla Vallias, cofundadora da consultoria de marketing Hype50 , especializada na chamada economia prateada. Segundo Layla, a percepção é de que o público sênior continua com o pé no freio devido ao elevado número de casos de coronavírus, embora comece a fazer planos para gastos mais à frente. "O que está mudando é o planejamento para o consumo, especialmente em áreas como turismo", comenta.
A economista Catarina Carneiro da Silva, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, reconhece que a imunização pode melhorar expectativas de consumo e reduzir restrições a atividades econômicas. Por outro lado, a analista menciona que desemprego elevado e perda de renda na crise desafiam a recuperação de parte dos negócios. Segundo ela, a vacinação é fundamental para destravar principalmente o setor de serviços. É que esse segmento, responsável por cerca de 70% do PIB, reúne operações com dependência da circulação de clientes. O grupo inclui bares, restaurantes e hotéis.
O engenheiro mecânico Horacio Steinmann, 71 anos, faz parte dos vacinados que mantêm precauções enquanto a pandemia não é superada. Ele relata que, desde o início da crise sanitária, procura sair de casa apenas para trabalhar. Ele tem planos para voltar a viajar com sua esposa, Heloísa, mas não neste momento. A ideia é esperar a melhora no quadro sanitário.