08 de julho de 2026
Esportes

Após polêmicas, a bola rola


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Vai ter Copa América no Brasil. Depois da desistência de Colômbia e Argentina como sedes originais, de um manifesto dos atletas da Seleção Brasileira com críticas ao torneio por "razões humanitárias e de cunho profissional", dos protestos de movimentos sociais no Distrito Federal por conta dos jogos durante o agravamento da pandemia de coronavírus e até da desistência de três patrocinadores, o torneio de seleções da América do Sul começa neste domingo (13), com Brasil, que busca o 10º título e o bicampeonato consecutivo, e Venezuela, às 18h, em Brasília.

A realização do torneio parecia tão incerta que o martelo só foi batido na quinta-feira (10). O Supremo Tribunal Federal analisou, ao mesmo tempo, três processos contra a realização da competição em função da possibilidade de disseminação do coronavírus. Os 11 ministros do STF votaram contra esses pedidos. Eles permitiram o evento, pois os jogadores serão submetidos a testes para diagnosticar infecção por Covid-19 e a disputa não terá público. O Ministério da Saúde já havia definido que a vacinação dos atletas não será obrigatória. Pelo menos quatro seleções, entre elas, o Brasil, ainda não tomaram nem a primeira dose.

Mesmo assim, três patrocinadores decidiram não associar suas marcas ao torneio: Mastercard, Ambev e Diageo. Na prática, os contratos não foram rescindidos, mas campanhas publicitárias e exposições dessas marcas serão evitadas. Especialistas opinam que o torneio perdeu parte do seu poder de atração por conta das controvérsias e das polêmicas.

Do ponto de vista esportivo, a Copa América também não vale muita coisa. Atualmente, ela não tem classificação para algo maior, como a antiga Copa das Confederações. Além disso, foi banalizada. Já foram realizadas edições em 2015, 2016 e 2019. Esta será a quarta em seis anos.

Esse torneio de menor importância trouxe uma crise inédita à Seleção Brasileira. Desde que o País foi anunciado como sede, houve uma cisão. De um lado, jogadores e comissão técnica reclamaram que não foram ouvidos. Do outro, a CBF, então presidida por Rogério Caboclo, falava do compromisso com o Governo Federal, principal avalista do torneio no País. Entrevistas canceladas. Silêncio. O único a falar foi o capitão Casemiro, na sexta-feira (4). Ele afirmou que todos sabiam qual era a posição dos atletas, mas não quis dizer qual era. Ficou no ar a ideia de um boicote à Copa América.

Na última terça (8), após a vitória sobre o Paraguai, o projeto de abandonar o torneio se dissipou totalmente. Os brasileiros divulgaram um manifesto genérico criticando a Conmebol. A ideia de abandono se dissipou depois que Caboclo foi afastado da presidência por causa de uma denúncia de assédio sexual e moral feita por uma funcionária da entidade. Grande parte do descontentamento dos atletas estava concentrada na figura do presidente, que tratou os atletas como subordinados da CBF e quis controlar até o que eles diriam nas entrevistas.