10 de julho de 2026
Saúde

Você sabe o que faz um físico médico e sua importância para a área da saúde?

Hérika Dias
| Tempo de leitura: 4 min

Quem for prestar o vestibular da USP neste ano ou concorrer a uma das vagas que a Universidade oferece no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) do Ministério da Educação terá mais uma opção de graduação: o curso de Física Médica, em São Paulo. Mas você conhece essa profissão? Para entender melhor quais são as possibilidades de carreira e como funcionará a nova graduação, conversamos com professores da USP que integram o grupo de trabalho de criação do curso. Estas informações foram retiradas do Jornal da USP

Um dos principais locais onde encontramos físicos médicos são os hospitais e centros de saúde. Ele é um profissional fundamental no desenvolvimento de novas tecnologias para diagnóstico e terapia adequados a cada pessoa. O físico médico ainda garante a segurança e a eficácia de equipamentos de imagens, como um tomógrafo, ressonância magnética, ou a dosagem de radiação ionizante que uma pessoa em tratamento de câncer pode receber.

“O mercado para físicos médicos não acadêmicos está relacionado principalmente às áreas de radioterapia, radiodiagnóstico e proteção radiológica em geral. Tudo muito ligado à área da saúde, que sempre tem demanda de profissionais”, explica a professora Elisabeth Mateus Yoshimura, do Instituto de Física (IF) da USP, em São Paulo.

A radioterapia é um dos tratamentos para o câncer. Ela utiliza radiações ionizantes – raios X, por exemplo – para destruir um tumor ou impedir que suas células aumentem. Essas radiações não distinguem entre a célula cancerígena e a do tecido normal do paciente, por isso várias pesquisas na área de física médica buscam aprimorar a radioterapia para evitar danos às células saudáveis.

“Tem havido expansão e qualificação de clínicas de radioterapia em todo o Brasil, e os físicos especialistas nessa área, que, em geral, são egressos de cursos de física médica que fazem residência ou aprimoramento em radioterapia, são essenciais para o funcionamento de uma radioterapia”, lembra a professora do IF.

A professora Elisabeth Yoshimura fez um resumo das principais áreas do mercado para o físico médico:

Empresas que desenvolvem ou comercializam equipamentos médicos hospitalares também contratam o físico médico. E para essa parte prática que o mercado de trabalho oferece, é preciso de um outro profissional: o pesquisador. Aquele que continua nas universidades e centros de pesquisa para estudar e desenvolver soluções inovadoras. A capacitação inclui fazer pós-graduação, como mestrado e doutorado.

“Existe sim uma falta de físicos médicos no mercado, e vamos formar esses profissionais. Mas temos a ideia de formarmos lideranças para pesquisas na área. Nossa preocupação é desenvolver um profissional que busque aprender continuamente. Para isso, devemos suscitar a dúvida, o desejo de pesquisar. E isso a USP faz como ninguém”, destaca Roger Chammas, vice-diretor da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), em São Paulo.

Ele acredita que o grande diferencial do novo curso da USP será a possibilidade de os estudantes atuarem no maior complexo hospitalar da América Latina: o Hospital das Clínicas da FMUSP. Fazem parte do complexo: Instituto Central, Instituto do Coração, Instituto da Criança, Instituto da Medicina Física e de Reabilitação, Instituto de Ortopedia e Traumatologia, Instituto de Psiquiatria, Instituto de Radiologia e o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo.

COMO SERÁ A GRADUAÇÃO EM FÍSICA MÉDICA

O curso de Bacharelado em Física Médica é oferecido em uma parceria do Instituto de Física e da Faculdade de Medicina.Isso significa que ele é interdisciplinar com aulas nas duas unidades e a emissão do diploma também será conjunta. Com duração de cinco anos, ele é dividido em três módulos: um de formação básica em física, matemática, computação e ciências biomédicas;um módulo de aplicações médicas; e outro de estágio prático hospitalar, que poderá ser realizado, além do complexo do HC, no Hospital Universitário (HU) da USP.

A graduação foi aprovada no dia 9 de março. Na época, o diretor do IF, Manfredo Harri Tabacniks, reforçou que o curso é uma nova opção para a formação de pessoas interessadas em física que também desejam ver sua aplicação prática.

“Com o crescente uso de tecnologias avançadas na instrumentação médica, o físico médico terá importante papel no uso correto e no desenvolvimento dessas novas instrumentações médicas”

“O físico médico é físico. O comentário que costumamos fazer para os estudantes que querem seguir a carreira é: para ser um bom físico médico, primeiro precisa ser um bom físico. Uma boa parte da grade curricular que esses estudantes vão fazer a partir do ano que vem é igual à grade curricular do bacharel em física”, explica o professor Paulo Costa, do IF

Além desse novo curso que começa em 2022, em São Paulo, a USP também tem a opção da graduação em Ribeirão Preto. No interior, o Bacharelado em Física Médica é sediado na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP). Parte das disciplinas utiliza equipamentos de laboratórios de pesquisa e do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. Mais informações no site da FFCLRP.