09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Pai & filho: sobre cumplicidade

Cesar Augusto Teixeira de Carvalho - Prof. Dr. aposentado do Dep. de Eng. Civil - Faculdade de Engenharia da Unesp - Bauru SP
| Tempo de leitura: 3 min

Pai: Oi filho, como foi sua aula hoje?

Filho: Foi legal, pai! O professor comentou o assassinato de uma garota, que ocorreu o ano passado, no litoral norte do Estado de São Paulo, quando ia por uma trilha no meio do mato, de Paúba à Maresias. O professor se manifestou indignado com isso, e desabafou: "Até quando!?" A classe inteira apoiou o professor, manifestando a mesma indignação.

Pai: Fiquei sabendo, filho, e também lamentei o fato. Mas tenho uma pergunta a você: alguém da classe sugeriu alguma coisa pra fazer a respeito disso?

Filho: Não pai, só ficamos comentando detalhes e o absurdo desta morte, mas ninguém sugeriu nada, nem o professor.

Pai: O que me intriga filho, é que quando você fala do professor, suas colocações têm sido na maior parte com viés de esquerda, e acredito que a grande maioria da moçada de hoje também tem entrado facilmente nesta onda, e acaba apoiando coisas muitas vezes sem saber direito o que é.

Filho: Esta onda pode ser boa, pai, uma vez que revela uma preocupação social, não é? Mas o que tem a ver uma coisa com outra?

Pai: Tem tudo a ver, filho! A esquerda no Brasil (PT, PSOL, ...) costuma usar a preocupação social como seu principal objetivo, mas nos "entretantos" acabam embutindo outros que parecem depois ter até mais importância. Eles sempre passaram a mão na cabeça dos bandidos afirmando que são "vítimas da sociedade" e, na era PT no governo federal, a violência aumentou e muito. Um bom indicativo disso é que, antes tínhamos no Brasil cerca de 30 mil mortes/ano por armas de fogo, e depois foi para 60 mil mortes/ano. Creio que um dos motivos disso foi que os bandidos se sentiram protegidos pelo PT, e até estimulados a agir, uma vez que houve um amplo desarmamento da população, enquanto eles próprios continuaram armados. Os criminosos já tinham o "Auxílio Reclusão" (também chamado Bolsa Bandido) pra ajudar a família caso fossem presos, e boa parte da mídia sempre pressionava para qualquer tratamento policial mais violento, além de terem toda atenção dos direitos humanos, o mesmo não acontecendo com suas vítimas.

Filho: Não estou entendendo a relação, pai?

Pai: Todo este tratamento e facilidades, é um incentivo ao crime, filho! É antiga e já bem conhecida a estratégia de dominação dos líderes de esquerda (Marx, Lênin, Gramsci, ...). Usando várias ações combinadas, procuram criar instabilidade social para gerar descontentamento e facilitar a penetração, ir conquistando apoios e depois até procurar mudar a cultura local. Faz parte deste pacote: desagregação da família; achincalhamento religioso; uso de drogas; estimulo à prostituição; desarmamento da população; tratamento "carinhoso" aos bandidos; achatamento salarial de policiais; e por aí vai. E tudo isso se aplica perfeitamente ao que ocorre atualmente no nosso País.

Filho: Pai, o senhor está insinuando que nós somos cúmplices do que ocorreu com o assassinato da garota?

Pai: Lógico que sim! Parece que vocês não sabem ou fingem não saber que ao apoiar estes movimentos de esquerda, estariam também apoiando todas suas atitudes e consequências, inclusive o aumento da violência contra a mulher, que é o caso em questão. Este "Até quando!" indignado do seu professor está parecendo um teatro, que eu devolveria com: "Até quando!" nós também temos que ouvir os lamentos e as contradições dos partidos de esquerda e de seus militantes, que usam as indignações como pano de fundo, mudando apenas o foco da discussão, mas sem mexer na origem do real problema.

Filho: Vou comentar o que disse com o professor, pai, e depois te conto.

Pai: Aproveita, filho, pergunte também ao seu professor, qual País que se tornou um "sucesso social" seguindo todo "ideário" que a esquerda prega, que até ele gostaria de passar lá suas férias?