08 de julho de 2026
Internacional

Irã elege chefe ultraconservador


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Teerã - O juiz ultraconservador Ebrahim Raisi, 60 anos, chefe do Judiciário do Irã, venceu a eleição presidencial com 61,95% dos votos, segundo os resultados divulgados neste sábado (19) pelo ministro do Interior, Abdolfazl Rahmani Fazli. Ele se torna, assim, o sucessor de Hasan Rowhani sem a necessidade de disputar o segundo turno, como reconheceram seus adversários no pleito.

Também de acordo com o ministro Fazli, a participação nesse pleito foi de 48,8%, a menor mobilização já registrada para uma eleição presidencial desde a instauração da República Islâmica, em 1979, e uma cifra muito abaixo dos 73% registrados em 2017. No total, há mais de 59,3 milhões de iranianos aptos a votar.

Na divulgação dos dados parciais, o general Mohsen Rezai, ex-comandante da Guarda Revolucionária e também ultraconservador, estava na segunda posição, com 11,5% dos votos, à frente do ex-presidente do Banco Central Abdolnaser Hemmati (8,3%) e do parlamentar Amir Hossein Hashemi (3,4%).

O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, celebrou a vitória de Raisi, de quem é próximo, como um triunfo contra a "propaganda do inimigo". "A grande vencedora das eleições é a nação, porque se levantou outra vez frente à propaganda da mídia mercenária do inimigo."

Raisi tem um passado marcado por repressão, em sua carreira no Judiciário. Nos anos 1980, durante a fase de perseguição e assassinatos que se seguiu à Revolução Islâmica de 1979, o então juiz teria autorizado muitas das mortes e torturas, segundo denúncias de dissidentes.

No cenário externo, a perspectiva da volta da linha dura ao poder automaticamente liga o alerta para uma relação ainda mais conflituosa com o Ocidente, em um momento de potencial abertura com os EUA, devido à eleição de Joe Biden, segundo a leitura de analistas ocidentais. Por outro lado, há quem veja que o Irã, mesmo sob Raisi, vai adotar uma política externa pragmática, de negociação, ainda que por necessidade, já que o país busca o fim das sanções para contornar as dificuldades econômicas. Assim, essa postura conservaria a negociação em torno do restabelecimento do acordo nuclear.

Raisi teve pista livre devido à falta de concorrência real após a desclassificação de seus principais adversários, vetados pelo Conselho de Guardiães, que sofre forte influência do aiatolá Khamenei. Raisi, aliás, como chefe do Judiciário, é quem indica metade dos nomes do conselho.