08 de julho de 2026
Nacional

Hidroxicloroquina doada pelos EUA encalha; Saúde avalia seguir a bula

FolhaPress
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - Mais de um ano após comemorar a doação de hidroxicloroquina pelos EUA e por uma farmacêutica para o uso contra a Covid, o governo Jair Bolsonaro ainda estoca cerca de 2,1 milhões desses comprimidos em armazéns do Ministério da Saúde e do Exército e já avalia dar novo destino a eles. Desde o fim do último ano, caiu o número de prefeituras que solicitaram o medicamento, sem eficácia comprovada para a Covid. Em 2021, houve só oito pedidos e há casos de cidades que tentam devolver unidades.

Cerca de 70% dos 3 milhões de unidades doadas ao Brasil seguem em estoque. Agora, a proposta é redistribuir esses medicamentos para uso nas indicações previstas em bula, como artrite e lúpus. Esse pedido já havia sido feito por gestores de saúde no ano passado, mas o ministério ainda buscava alternativas para uso dos remédios em pacientes com Covid-19.

Impulsionado pela promoção do tratamento feita por Donald Trump, ex-presidente dos EUA, e por estudos preliminares, o governo Bolsonaro correu para acumular cloroquina e hidroxicloroquina nos primeiros meses da pandemia. O Laboratório do Exército turbinou a produção de cloroquina, e doses já fabricadas pela Fiocruz para o programa de malária foram desviadas para o combate à Covid.

Segundo informações entregues pela Saúde à CPI da Covid e concedidas pelo Exército via Lei de Acesso à Informação, há ainda 2,17 milhões de comprimidos de hidroxicloroquina estocados.

A droga doada ao Brasil ainda precisa ser fracionada em frascos menores, operação que reduz a validade do produto e deve ser custeada por quem pedir ao ministério o envio das doses. Procurados, o Ministério da Saúde não confirmou o estoque atual de doses, alegando que a informação é reservada, e disse que as orientações sobre a cloroquina estão sendo revistas.

O ministro Marcelo Queiroga foi questionado pela CPI, em depoimentos de maio e junho, sobre se manterá a entrega dos medicamentos sem eficácia para a Covid pelo SUS. Primeiro ele afirmou que não autorizou a distribuição dos medicamentos na sua gestão, que começou no fim de março. Mas dados da Saúde mostram que Presidente Prudente (SP) recebeu 100 mil unidades em 27 de abril. Já no depoimento deste mês, Queiroga disse que os remédios guardados poderiam ser usados para indicações em bula.