Lá pelos idos de 1960, a Véia Luiza, uma senhora viúva, vizinha de cerca lá de casa, depois de ouvir o noticiário no rádio, passou a correr por toda a vizinhança apavorada e apavorando, dizendo que uma tal Gráia já estaria a caminho do Brasil. Na verdade, não sei em que tempo, a questão foi resolvida e entendida que se tratava de uma notícia do governo, se não me engano de João Goulart, sobre projetos para uma reforma agrária no país. Como os lemas das denominadas Ligas Camponesas, "reforma agrária pela lei ou na marra", fatos que tiveram vários capítulos, como a Constituição de 1988, conhecida como "A Constituição Cidadã".
Saltemos para o futuro. Estamos em 2021, e quase nenhum progresso foi feito nas cabeças contemporâneas do povo brasileiro, pois como a Véia Luiza, nos idos de 1960 (e que Deus a tenha), que não imaginou, pela entonação do locutor do seu velho rádio de madeira e a válvula, que deveria se tratar da reforma agrária que viria em favor dos pobres de marré, mas, sim, se tratar de um monstro, talvez como o lendário Godzila japonês. Ou como o próprio demônio é quem sabe que aqui (biblicamente) veio para matar, roubar e destruir. Hoje, ainda muito pobre assustado pelas mentiras mal contadas como "a vida do empresário brasileiro é muito dura", sem dizer, quiçá, a do empregado brasileiro a quem foi proposto "O emprego ou os direitos trabalhistas". Direitos tão sagrados como comer!
"Mas ainda nas cidades ou nos campos, continuamos os mesmos ingênuos dos anos 60... Meu pai chegou em casa nos idos de 63 e da porta, orgulhoso, gritou. Agora chegou a nossa vez. Eu vou ser o maior, comprei um Simca Chambord" (Camisa de Vênus)
O autor é colaborador de Opinião.