A definição sobre as especialidades que serão atendidas nos 30 novos leitos que serão instalados pela Secretaria de Estado da Saúde e em quais hospitais eles serão alocados deverão ser definidas nesta quinta-feira (24). A expectativa é de que a detalhamento ocorra em reunião agendada para o período da manhã entre representantes da Famesp e o secretário executivo da pasta, Eduardo Ribeiro Adriano, em São Paulo.
Preliminarmente, contudo, a previsão é de que todos os 30 leitos sejam destinados a demandas não relacionadas à Covid-19, visto que a abertura destas vagas é compromisso assumido pelo Estado, em pactuação firmada junto ao Tribunal de Justiça, para ampliar as vagas de internação de forma geral e reduzir as filas de espera em Bauru e região.
Conforme o JC noticiou, o acordo foi assinado na última segunda-feira (21), durante audiência de conciliação, dentro do processo de cumprimento da sentença proferida em ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público (MP) em 2013. Pelo que ficou pactuado, o Estado deverá abrir, de modo definitivo, no prazo de 60 dias, dez leitos de UTI e 20 de enfermaria em hospital da rede estadual já existente, assumindo também custos com aquisição de equipamentos, mobiliário, custeio e eventuais reformas.
PREOCUPAÇÃO
Presidente da Famesp, Antonio Rugolo Júnior manifesta, contudo, uma preocupação: os dois hospitais do Estado - o Hospital Estadual e o Hospital de Base - não possuem espaço disponível para abrigar estes 30 novos leitos. "O Base tem uma ala que ainda não foi reformada, onde caberiam menos de dez leitos. E tem uma outra ala, que era de engenharia clínica, que daria para montar uns oito leitos de UTI. Fora isso, eu desconheço onde poderiam ser alocados mais leitos", revela.
Ainda de acordo com ele, o Hospital Estadual, que conta com 300 leitos, sendo 124 voltados à Covid-19, não possui espaços remanescentes, inclusive porque, para atendimento de casos suspeitos de infecção pelo novo coronavírus, os pacientes precisam ficar isolados. "Em um quarto em que daria para ficar dois, três pacientes, fica um até dar resultado positivo ou negativo para Covid. Então, o espaço ocupado é maior. Mas iremos conversar com as diretoras dos dois hospitais para avaliar como esta implantação pode ser feita" frisa.
'VITÓRIA PARCIAL'
Vale lembrar que o Hospital das Clínicas (HC) funciona hoje como hospital de campanha para a Covid-19, não sendo considerada uma unidade integrante da rede hospitalar estadual. Para que isso ocorra, precisa ser transformada em autarquia, por meio de projeto de lei a ser enviado pelo governo paulista à Assembleia Legislativa, o que ainda não tem prazo para ocorrer.
"Por isso, considero a criação destes 30 novos leitos uma vitória parcial", pontua o promotor Enilson Komono, autor da ação civil pública que resultou no acordo. "Precisamos ainda de muita força política, para ter o HC operando em sua capacidade máxima e de modo permanente, como forma de solucionar a falta de vagas na região. Continuaremos lutando por isso", acrescenta.
Para Rugolo Júnior, é grande a probabilidade destes 30 leitos serem destinados a outras enfermidades que não a Covid porque o objeto da ação era a ampliação de vagas em geral e também porque, neste momento, a maioria dos pacientes aguardando internação não é de infectados pelo novo coronavírus. Nesta terça-feira, por exemplo, havia 58 pessoas aguardando transferência nas unidades de urgência e emergência do município, sendo que 25 eram pacientes de Covid.