11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Insegurança jurídica, juros e impostos travam indústria no Brasil, diz Roriz

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Insegurança jurídica, juros abusivos e impostos elevados compõem a tríade que impede o crescimento do setor secundário no Brasil. Essa é a avaliação do vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o empresário José Ricardo Roriz Coelho, que esteve em Bauru na manhã desta terça-feira (22) para debater o tema com os representantes do setor.

De acordo com Roriz, a indústria já representou 30% do PIB brasileiro, mas, com o passar do tempo, essa participação caiu para 10%. "O setor secundário é responsável pelo crescimento do País, pois paga os melhores salários e agrega valor aos produtos", argumenta.

Ainda segundo Roriz, que também concorre à diretoria estadual do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), o fortalecimento do País depende de uma reforma que permita aos empresários do setor pagarem menos impostos. Outro problema, conforme reforça o empresário, diz respeito ao custo de capital. "O Brasil não atrai investimentos, porque as taxas de juros são muito altas e os empresários preferem aplicar no mercado financeiro do que correr o risco de produzir alguma coisa", descreve.

O vice-presidente da Fiesp também destaca a insegurança jurídica. "As empresas têm tantos problemas nas áreas trabalhista e tributária que não dá sequer para saber o seu valor, fato que espanta os investimentos, tira a qualidade do ambiente de negócios e atrapalha o crescimento das indústrias de menor porte", observa.

Desse modo, a reforma tributária é apontada como fundamental para resolver parte desses problemas. "Nós também precisamos fazer as microrreformas. A energia e o gás estão muito caros no Brasil, que também tem um custo alto para movimentar os produtos. Há, ainda, toda uma burocracia para abrir ou fechar uma empresa e manter a sua documentação em dia. Esse conjunto de situações tira a competitividade da indústria brasileira", reforça.

APRENDIZADO

Com a pandemia da Covid-19, o empresário afirma que o País aprendeu a valorizar algumas cadeias produtivas, como a de medicações e equipamentos médicos. "Por outro lado, o Brasil errou ao não perceber que a saída dessa crise mundial começa pela vacinação e nós pagaremos um preço mais alto do que muitos países que tiveram essa percepção".

Apesar do atraso da imunização, Roriz avalia que a economia aprendeu a operar mesmo em meio às restrições impostas pela pandemia. "As pessoas estão voltando a comprar e as empresas, a produzir", reitera.

Outro aspecto envolvendo o atual cenário foi o fato de trazer a percepção da importância de investir na chamada indústria 4.0 "Nós percebemos que comprar em outro país porque é mais barato não necessariamente atende à demanda do mercado interno", justifica.

Ainda de acordo com o vice-presidente da Fiesp, os empresários também perceberam a importância de manter um estoque estratégico e uma logística que não comprometa o seu processo produtivo.

NA CIDADE

Justamente para discutir todo esse contexto, debater as principais demandas da indústria e falar das eleições para a diretoria estadual do Ciesp, José Ricardo Roriz esteve na sede da Plasútil, no Distrito Industrial 1, em Bauru, onde se reuniu com os representantes do setor. Na ocasião, ele destacou a importância de dar voz ao Interior Paulista, afinal, a indústria migrou para essa região.