09 de julho de 2026
Nacional

CPI convoca o servidor que denunciou suposto esquema na compra da Covaxin

Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - A CPI da Covid aprovou nesta quarta-feira (23) convites para que o deputado Luis Miranda (DEM-DF) e seu irmão, o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Fernandes Miranda, prestem depoimento à comissão. Segundo os senadores do chamado G7 - grupo majoritário do colegiado -, a presença dos irmãos, marcada para sexta-feira (25), é importante para que avancem as investigações relacionadas a um suposto de esquema de corrupção na compra, pelo governo federal, da vacina Covaxin. O contrato assinado pelo Ministério da Saúde prevê pagar pelo imunizante um preço 1.000% maior do que o anunciado pela própria fabricante seis meses antes.

Luis Ricardo é chefe de importação do Departamento de Logística do Ministério da Saúde. De acordo com  o deputado, ele e o irmão levaram a denúncia de um suposto esquema de corrupção envolvendo a compra da vacina Covaxin no dia 20 de março para o presidente da República, Jair Bolsonaro. Apesar do aviso, o governo seguiu com o contrato. "O presidente viu a gravidade e, naquele momento, ele fala pra gente 'vou acionar agora o DG (diretor-geral) da Polícia Federal para cuidar do caso'", disse Miranda nesta quarta-feira, 23.

Miranda chegou a publicar em suas redes sociais foto do encontro com Bolsonaro. "Sábado com o PR @jairmessiasbolsonaro tratando dos assuntos que são importantes para o Brasil... Governadores que estão abusando do ICMS, principalmente nos combustíveis, aguardem!", escreveu o parlamentar. O irmão dele é o servidor do Ministério da Saúde, que depôs ao Ministério Público Federal (MPF) sobre a compra da vacina e citou o tenente-coronel Alex Lial Marinho, também convocado pela comissão nesta quarta.

Marinho é ex-coordenador-geral de Logística de Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde. Além de ser convocado, ele teve a quebra de seus sigilos telefônico, fiscal, bancário e telemático aprovada pela CPI. Documentos recebidos pela comissão apontam que o ex-coordenador teria "atuado fortemente" pela entrada da vacina indiana Covaxin no Brasil. A compra do imunizante é investigada pela comissão.