Com operação encerrada em 2016, o aterro sanitário de Bauru, até hoje, representa um risco de dimensões desconhecidas para a cidade. A área é classificada como contaminada pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), que já determinou a realização de uma ampla investigação para detalhar as causas e consequências deste problema, inclusive sobre as proporções em que as águas subterrâneas do local foram atingidas.
O entrave é que o estudo, que precisa ser contratado pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), foi orçado em cerca de R$ 20 milhões. O valor foi conhecido nesta última semana pela pasta, que fez a cotação junto à empresa especializada e já informou não dispor do recurso neste momento.
A Cetesb, por sua vez, destaca que concedeu sucessivas extensões de prazo, sendo que o último venceu há mais de nove meses, sem qualquer manifestação do município. Para piorar, o monitoramento que era realizado semestralmente por meio dos poços existentes no local, já não ocorre desde o início de 2020 - ou seja, há cerca de um ano e meio (leia mais abaixo).
Secretário de Meio Ambiente, Dorival José Coral explica que a contaminação do aterro é antiga, provocada pelo manejo inadequado dos rejeitos quando a área ainda estava em operação, em uma época em que o sistema de impermeabilização não era tão eficiente. A principal hipótese considerada é de que os líquidos resultantes do processo de decomposição do lixo, como o chorume, tenham se infiltrado no solo e chegado ao lençol freático, que não tem interface com aquíferos como o Guarani e Bauru.
METAIS PESADOS
Em 2010, a Emdurb, responsável pela gestão do aterro, constatou a contaminação destas águas subterrâneas por chumbo e, em 2011, a prefeitura recebeu uma advertência da Cetesb. Já em 2012, nova análise apontou contaminação por substâncias como bário, níquel, cobalto e benzeno.
"A gente acredita que haja um vazamento do maciço do aterro, então, é importante investigar, para caracterizar o grau, extensão e tipo de contaminação. Obrigatoriamente, teremos que fazer este estudo, mas, pelo menos neste ano, não há condições de efetivar esta contratação", argumenta o secretário, acrescentando que uma possibilidade considerada é incluir este trabalho em uma futura concessão da destinação final do lixo, por meio de Parceria Público Privada (PPP), que está em análise no município.
O aterro sanitário de Bauru iniciou sua operação em 1993, mas, segundo o engenheiro civil Marcelo Makino, gerente ambiental de aterro sanitário na Emdurb, foi apenas em 2011 que a Cetesb passou a exigir que áreas como esta contassem com monitoramento ambiental. Na época, então, foram perfurados poços para coleta de amostras de água, que passaram a ser analisadas por laboratórios contratados pela prefeitura.
"A análise de 2012 tinha apontado valores de contaminação por metais pesados acima dos parâmetros permitidos. Naquela época, a Cetesb pediu a ampliação da investigação e um relatório feito pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas apontou que, provavelmente, a contaminação era oriunda de chorume", detalha.
'PENTE FINO'
Em 2016, então, a companhia ambiental emitiu nova advertência à prefeitura, reiterando a necessidade de uma investigação mais detalhada, que não foi feita até hoje. "A recomendação foi fazer um pente fino: instalar muito mais poços, colher muito mais amostras e fazer um diagnóstico muito mais completo, inclusive para identificar as linhas de fluxo do lençol freático, para ter a certeza de que a contaminação vem do maciço e saber qual é a verdadeira gravidade da situação", acrescenta.
Dependendo do que o estudo revelar, quando for feito, a Cetesb poderá indicar ações para controle de danos, como obras de contenção para barrar ou desviar as águas contaminadas, visando impedir, por exemplo, que elas sejam consumidas por humanos. Vale lembrar que, nas proximidades do aterro, existe um complexo penitenciário que retira água de poço próprio para abastecimento.
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