08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Em defesa da ciência!

Osvaldo Gradella Júnior e Ângelo Antônio Abrantes
| Tempo de leitura: 2 min

No dia 30/06, o JC publicou um artigo com conteúdos que foram organizados a partir de entrevista com dois médicos e afirma que a comprovação científica não é um absoluto, relativizando para a população a importância da ciência e dos saberes autênticos no cuidado com a saúde. Nesse contexto, defendem a utilização de tratamento precoce com medicamentos que comprovadamente são ineficazes contra a Covid-19. Informo que fazemos parte dos leigos, leia-se daqueles que não são médicos, no entanto, acompanhando os acontecimentos podemos perceber que a Covid-19, que foi uma doença desconhecida no início da pandemia, foi sendo pesquisada por especialistas não leigos a partir de instituições reconhecidas pela comunidade científica e resultados foram conquistados. No momento da publicação do referido artigo já existem vacinas que comprovadamente possuem efeitos positivos no combate à doença e pesquisas demonstraram de forma inquestionável que os medicamentos citados no artigo não atuam na prevenção e tratamento da Covid-19. O posicionamento apresentado é no mínimo estranho e, apesar de questionar a politização em torno do uso da cloroquina, aparece como negação dos resultados conquistados pela ciência. Seria desconhecimento? Seria negacionismo?

Não nos cabe julgar, mas podemos afirmar que as práticas de consultório não se sobrepõem à produção dos conhecimentos científicos acerca da Covid-19. Seria de bom senso que a eles se articulassem para evitar que o cuidado ficasse restrito à intuição e aos mecanismos de tentativa e erro.

O tratamento precoce integra as práticas populares de saúde há mais tempo do que a institucionalização da medicina e tais práticas foram produzidas por leigos. Há uma diferença entre se precaver de possíveis situações que podem provocar doenças e utilizar medicamentos de forma precoce para minimizar as probabilidades de ter alguma doença ou mesmo utilizar medicamentos ineficazes no início dela. A medicação em excesso e desnecessária fragiliza o organismo e abre caminho para outras doenças.

Porém, essa não é a situação abordada no artigo, pois ele induz a utilização de medicações comprovadamente ineficazes no tratamento da Covid-19. A política defendida no artigo, articulada com as posturas negligentes do Ministério da Saúde, causaram 520.000 mortes. Elas tendem a aumentar. Dados demonstram que os municípios que adotaram a concepção defendida, a partir da entrevista com os dois médicos, tiveram maior número de mortes. Bauru é um desses municípios. Em nenhum momento foi feita referência à importância da vacinação, como se estivéssemos no início da pandemia.

Esse fato é no mínimo estranho. Seria o caso de desconhecimento ou desatualização? Seria interferência da política na forma de avaliar a situação? Imaginemos a situação estranha que advém do posicionamento dos entrevistados: os médicos apresentam os medicamentos e o "paciente" leigo decide se vai deles fazer uso ou não. De onde viria essa posição vacilante e incerta?

A vida real demonstra que não é possível compreender o processo saúde - doença fora das determinações da política e da economia: até mesmo a dimensão financeira vem se apresentando na CPI. Decisões políticas matam!