08 de julho de 2026
Internacional

Haiti entra em estado de sítio


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Porto Príncipe - A tensão ganhou as ruas do Haiti nesta quarta-feira (7), horas depois do assassinato do presidente Jovenel Moise, 53 anos, morto a tiros em sua casa na madrugada. O primeiro-ministro interino do Haiti, Claude Joseph, decretou estado de sítio de 15 dias para "assegurar a continuidade do Estado", depois de uma reunião de emergência com o conselho de ministros. Em estado grave, a primeira-dama Martine Moise deveria ser transferida para Miami, ainda na noite de ontem.

Temendo que a crise interna no Haiti se espalhe para a outra metade da Ilha de Hispaniola, a República Dominicana mobilizou tropas para proteger a fronteira. O Conselho de Segurança da ONU deve debater nesta quinta-feira (8) a crise na ex-colônia francesa.

"Peço que todas as forças da nação nos ajudem na batalha para manter a continuidade do Estado", disse o premiê em comunicado. Joseph garantiu que a Polícia e o Exército têm o controle do país e pediu calma à população.

MERCENÁRIOS

No pronunciamento, o premiê ainda prometeu uma investigação sobre a morte de Moise e medidas de segurança especiais, entre eles a proibição de reuniões. O governo acredita que Moise foi alvo de um grupo de mercenários, que segundo autoridades locais, falavam espanhol, foi responsável pelo ataque. 

Os assassinos foram até a residência do presidente e se apresentaram como agentes do DEA, o departamento americano de combate às drogas, mas seu comportamento não condizia com o de membros da agência.

Joseph garante estar no comando do país, mas não está claro até onde vai seu poder, nem se há risco de vácuo institucional no país, marcado por sucessivas crises políticas, desastres naturais e intervenções militares nas últimas décadas. "Vamos procurar por harmonia para que o país não colapse no caos", pediu o premiê interino, que seria substituído nos próximos dias, mas se apresentou como chefe de governo à nação.

MOMENTO DE CRISE 

Moise, ex-empresário que construiu diversos negócios no norte do país, de onde é natural, irrompeu no cenário político em 2017 com uma mensagem de reconstrução.

Ele fez campanha com promessas populistas, mas manteve a retórica mesmo depois de ser eleito em fevereiro de 2017.

O presidente vinha enfrentando forte oposição de setores da sociedade que consideravam seu mandato ilegítimo.

A instabilidade política no país se acentuou nos últimos meses após as autoridades haitianas terem frustrado uma "tentativa de golpe" de Estado contra o presidente, que teria sido alvo de um atentado mal sucedido em fevereiro.

Moïse governava o Haiti sem o controle do Legislativo desde o ano passado e dizia que ficaria no cargo até 7 de fevereiro de 2022, em uma interpretação da Constituição rejeitada pela oposição. Para eles, o mandato do presidente havia terminado em 7 de fevereiro deste ano.