09 de julho de 2026
Articulistas

O Movimento Constitucionalista de 32

FABIANO DE ALMEIDA SERPA
| Tempo de leitura: 2 min

Há 89 anos, no dia 23 de maio de 1932, uma grande manifestação no centro da cidade de São Paulo, em oposição ao governo provisório do então presidente Getúlio Vargas, resultou em um conflito na Praça da República, esquina com a rua Barão de Itapetininga. Na ocasião, quatro manifestantes paulistas, Mário Martins de Almeida, Euclides Miragaia, Dráusio Marcondes de Souza e Antonio Américo Camargo de Andrade, foram feridos e mortos em confronto com as tropas federais ligadas ao Partido Popular Paulista (PPP). A sigla M.M.D.C. tornou-se o acrônimo pelo qual são representados os nomes dos mártires do Movimento Constitucionalista de 1932, que culminou no levante revolucionário que preparou a luta e sustentou a mobilização paulista durante o conflito, que se iniciou no dia nove de julho e terminou em dois de outubro.

O Movimento Constitucionalista de 1932 foi o maior conflito militar em território brasileiro, deflagrado em prol da obediência à Constituição Federal, que foi colocada de lado pelo governo provisório surgido da Revolução de outubro de 1930. Deixou como legado para as novas gerações uma história de coragem, civismo e patriotismo, nunca se propôs a ser um movimento separatista, mas sim um movimento cívico, de toda a população, em defesa da lei, da ordem constitucional e dos ideais democráticos e contra o enfraquecimento do poder civil.

Em 85 dias de conflito cidadãos perderam a vida em defesa dos princípios democráticos e da soberania do povo brasileiro. Cerca de 700 (setecentos) mortos do lado paulista, de acordo com os números oficiais. No entanto, estima-se que esse número tenha sido maior, mais de 1.000 (mil). Fora do Estado de São Paulo, pois o movimento foi nacional, houve aproximadamente 500 (quinhentos) mortos. Importante destacar que o número de mortos superou o da Força Expedicionária Brasileira na sua campanha durante a 2ª Guerra Mundial. Do lado do governo provisório de Getúlio Vargas, o número de mortos nunca foi divulgado.

O Povo paulista perdeu no campo de luta, mas ganhou no campo do ideal, conseguindo alcançar seu objetivo com a edição de uma nova Constituição em 1934. O nove de julho é um dia reservado aos heróis de São Paulo. É um dia dedicado àqueles que acreditaram nas pessoas, na liberdade, na pátria livre, no futuro, e que fizeram prevalecer a força do direito sobre o direito da força.

Os filhos desta terra, ou aqueles que adotaram Bauru e as cidades da região como cidade do coração e que lutaram pelos ideais democráticos, mas infelizmente tombaram no campo de batalha, devem sempre ser lembrados com orgulho pela população e por este motivo o 4º BPM/I não poderia deixar de prestar esta singela homenagem aos heróis do Estado de São Paulo.

 O autor é tenente-coronel PM, comandante do 4.º BPMI.