08 de julho de 2026
Nacional

Ex-chefe do PNI defende vacinas

Agência Brasil
| Tempo de leitura: 2 min

Brasília - A Comissão Parlamentar de Inquérito da Pandemia (CPI) do Senado ouviu, nesta quinta-feira (8), Francieli Fantinato, ex-coordenadora do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde. Servidora de carreira, ela é enfermeira e tecnologista da pasta desde 2015. Amparada por decisão do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), a depoente se negou a prestar compromisso de dizer a verdade aos parlamentares.

Em sua declaração inicial, ela ressaltou seu currículo acadêmico, com especialização em eventos adversos pós-vacina. Segundo Francieli Fantinato, o programa brasileiro de vacinação, o maior do mundo, teve dificuldade porque faltaram doses suficientes de imunizantes para a execução rápida de uma campanha. "Trabalhei incansavelmente 24 horas por dia, sete dias por semana, para vacinar a população brasileira. Para um programa de vacinação ter sucesso é simples: é necessário ter vacinação e é necessário ter campanha publicitária efetiva. Infelizmente,  não tive nenhum dos dois", ressaltou.

SAÍDA

À CPI, a depoente disse que o pedido dela para deixar a coordenação do PNI foi motivado pela "politização do tema". "Quando nós temos todas as evidências favoráveis, as evidências que mostram que a vacinação é um meio eficaz para que a gente possa controlar a pandemia, qualquer indivíduo, qualquer pessoa que fale contrário à vacinação vai trazer dúvidas à população brasileira. Então, há necessidade de se ter a comunicação única, seja de qualquer cidadão, de qualquer escalão", justificou.

PRESSÕES

Enquanto foi coordenadora do Programa Nacional de Imunizações, cargo do qual teve a exoneração publicada nesta quarta-feira (7) no Diário Oficial da União, Francieli Fantinato disse ter sofrido pressão "de diversos setores" para inclusão de grupos prioritários na vacinação. Tais pressões, pontuou, teriam atrapalhado a campanha de imunização no Brasil.

Perguntada pelo relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), sobre que problemas teve nesse sentido, ela citou a vacinação de profissionais de saúde. "Primeiramente, a manutenção da força de trabalho do setor de saúde, porque a gente precisava que esses profissionais estivessem vacinados para poder atender à população brasileira. Na sequência, aqueles que mais morriam. E, na sequência, a manutenção do funcionamento dos serviços essenciais. Então nós colocamos esses grupos prioritários e tivemos pressões para mudar esses grupos", relatou.

Aos senadores, a ex-coordenadora enfatizou que a definição dos grupos prioritários foi feita pela Câmara de Assessoramento Técnico, formada por diversas sociedades científicas "que estudam o tema e entendem o conjunto epidemiológico". Franciele Fantinato insistiu que todos os problemas foram gerados pela falta de doses. "Se tivesse vacina suficiente, não precisaria fazer essa fragmentação, nós evitaríamos toda essa pressão de todos os segmentos", afirmou.