11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Energia fica mais cara, mas mudança de hábito pode gerar economia de 20%

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

A partir deste mês, a conta de energia ficará entre 5% e 10% mais cara, devido ao reajuste na bandeira tarifária aprovado na semana passada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Para quem precisa economizar e quer evitar o peso desta alta no bolso, a dica é mudar hábitos do dia a dia em casa, o que pode ser suficiente para reduzir o valor da conta em até 20%, conforme apontam especialistas.

Conforme o JC divulgou, a tarifa da bandeira vermelha nível 2 (uma cobrança extra), aumentou 52% a partir de julho, passando de R$ 6,24 para R$ 9,49 por 100 kWh (quilowatt-hora). A elevação visa arrecadar mais recursos para enfrentar a crise hídrica, que levou o governo a acionar todo o parque térmico disponível, independente do preço de geração de energia.

As usinas termelétricas são mais caras e poluentes e, por isso, há aumento no custo da geração de energia, que é repassado ao consumidor. Além disso, a alta sinaliza à população a necessidade de economizar eletricidade.

Segundo a CPFL Paulista, a conta final do consumidor residencial deverá aumentar em torno de 5%. Já cálculo feito pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) prevê um impacto médio de 8,12%.

Para exemplificar, a CPFL apresenta uma estimativa, tendo como base uma família que consome 168 kwh por mês. Em bandeira verde, quando não há cobrança de tarifa adicional, a fatura seria de R$ 100,00. Já com a bandeira vermelha patamar 2, ainda sem o reajuste, o valor final era de R$ 110,48. Agora, com a alta, a conta subirá para R$ 115,94, variação de 4,94%.

Engenheiro elétrico e especialista em energia, Braz Melero explica que o consumidor pode tentar 'compensar' este reajuste com mudanças simples de hábito, sem necessidade de troca de equipamentos ou mudanças estruturais em casa. Um exemplo é o chuveiro elétrico, que, de acordo com a CPFL, é o responsável por 25% a 35% dos gastos na conta de luz nos meses mais gelados.

ESTRATÉGIAS

"Uma alternativa, além de reduzir o tempo de banho, é optar pelos horários mais quentes do dia, quando você consegue usar água menos aquecida, o que significa menor gasto de energia", ensina Melero. Para reduzir o valor da fatura, uma supervisora de telemarketing de 42 anos, que tem dois filhos pequenos, de 7 e 8 anos, voltou a acompanhá-los na hora do banho, como estratégia para acelerar o processo e desligar o chuveiro em menos tempo.

"Agora, no frio, as crianças resistem a tomar banho, mas, quando entram, não querem sair. E, principalmente nesta época, em que a conta fica mais cara por causa da bandeira vermelha, estou sempre atenta com luzes acesas sem necessidade. Tento conscientizá-los", conta ela, que preferiu não se identificar.

Além do chuveiro, a geladeira, o ferro de passar e o secador de cabelo também estão entre os campeões de consumo de eletricidade. Segundo a CPFL, a geladeira, por exemplo, chega a representar, em média, de 15% a 20% do valor da conta e, para economizar, a recomendação é instalá-la em local ventilado, sem encostar em paredes ou móveis e longe de raios solares e fontes de calor, como fogões e estufas.

Já quanto ao ferro, a orientação básica é juntar uma boa quantidade de roupas para passar de uma só vez. "As pessoas também devem estar atentas aos aparelhos em stand-by, que consomem energia. Quando possível, vale tirar da tomada", frisa Melero.