09 de julho de 2026
Política

Gazzetta afirma que deixou recursos e até projeto pronto para a Estação

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 2 min

O ex-prefeito Clodoaldo Gazzetta afirma ter deixado recursos na ordem de R$ 26 milhões e projeto pronto para a reforma e restauração do prédio da Estação Ferroviária da Noroeste do Brasil (NOB). Ele procurou o JC para dizer, inclusive, que alertou Suéllen Rosim sobre a necessidade de licitação, em janeiro, já que o projeto de reforma foi atualizado no fim de 2020. A prefeitura não se manifestou sobre os apontamentos do ex-prefeito e apenas reforçou que não tem previsão para a obra da Estação, porque sua prioridade é com a reforma das escolas municipais.

Conforme o JC mostrou com exclusividade no domingo (11), o prédio da Estação foi lacrado no fim de junho deste ano, depois de um inquérito civil do Ministério Público Estadual (MP) constatar várias situações de risco para frequentadores no local. Além de não possuir Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB), a estrutura sofre com a possível queda dos arcos da Gare (no pátio) e de pedaços do teto.

O inquérito teve início no fim de 2019 e a prefeitura assinou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com o MP, prontificando-se a desocupar o prédio, o que foi feito em dezembro de 2020, ainda na gestão de Gazzetta. Parte do "arquivo morto" do município, no entanto, permaneceu por lá e o MP determinou, então, a lacração do complexo. 

'TINHA DINHEIRO'

A reocupação está condicionada a uma reforma geral. Gazzetta afirma que o projeto foi revisionado e estava pronto para licitação, ainda no fim de 2020. A proposta previa transformar o local em Estação Educação e Arte.

"Deixamos mais de R$ 26 milhões no caixa da Secretaria Municipal de Educação vinculado ao fundo QESE (Quota Estadual do Salário-Educação). A reforma total estava avaliada em R$ 15 milhões. A licitação seria feita em janeiro. Eu disse isso para a prefeita nas reuniões de transição de governo. Foi opção dela não fazer, porque tinha dinheiro e projeto", critica Gazzetta.

Antes de ser desocupado e lacrado, o prédio histórico, construído em 1939, abrigava mais de 20 projetos de música, dança e arte.

MEMÓRIA

Bauru poderia ser reconhecida internacionalmente por sua memória ferroviária. A avaliação é do historiador e professor de Patrimônio Cultural e História Moderna Fábio Paride Pallotta. Segundo ele, a cidade tem o maior acervo de patrimônio industrial ferroviário do Interior do Brasil.

"Se tivéssemos vontade política, poderíamos ser a capital nacional da ferrovia e da memória ferroviária. Temos 55 mil metros quadrados de área construída das oficinas e a Estação Central é a maior em art decco do Interior do País. Estamos matando a 'galinha dos ovos de ouro', assim como fizemos com a Casa do Pelé. E uma cidade que desvaloriza seu passado não consegue enxergar o futuro com clareza", ressalta o historiador, que criou um movimento online com a hashtag #restauraçãodaestaçãocentralparaaeducação.