09 de julho de 2026
Nacional

Pela 1ª vez, governo vê inflação fora da meta

Estadão Conteúdo
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Brasília - Pela primeira vez, o Ministério da Economia passou a prever o estouro da meta da inflação neste ano. Em documento divulgado nesta quarta-feira (14), a equipe do ministro Paulo Guedes estimou em 5,9% a inflação de 2021, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O teto da meta que precisa ser perseguida pelo Banco Central é de 5,25%. A estimativa anterior do governo, de março, era que a alta dos preços ficaria em 5,05% neste ano.

O secretário de Política Econômica, Adolfo Sachsida, disse que as políticas fiscal (sustentabilidade das contas públicas) e monetária (calibragem da taxa básica de juros para o controle da alta dos preços) seguem "trabalhando juntas". "A inflação está em elevação em todos os lugares do mundo", afirmou ele, ao citar como fatores os estímulos fiscais dados pela maior parte dos países em meio à pandemia do novo coronavírus e o aumento da demanda por produtos básicos, como alimentos, minério de ferro e petróleo.

A meta central do governo para a inflação em 2021 é de 3,75%, com um intervalo de tolerância que varia de 2,25% a 5,25%. Para alcançá-la, o BC eleva ou reduz a taxa básica de juros da economia (Selic), que agora está em 4,25% ao ano.

No mês passado, o BC já tinha divulgado que o risco de estouro da meta havia subido para 74%. Para uma centena de analistas de instituições financeiras, consultados pelo próprio BC, o IPCA deve acumular alta ainda maior no ano - de até 6,11%.

Na hipótese de a meta ser descumprida, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, terá de enviar uma "carta aberta" a Guedes para explicar as razões do estouro. A última vez que isso ocorreu foi em janeiro de 2018, mas o motivo foi outro: por conta de a inflação do ano anterior ter ficado abaixo do piso da meta. Então na presidência do BC, Ilan Goldfajn apresentou como justificativa a forte queda do preços dos alimentos na esteira da safra recorde.

O ministério ainda revisou sua projeção para a recuperação da economia e espera agora uma alta de 5,30% no Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.