09 de julho de 2026
Nacional

Estado de São Paulo tem registrado queda


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Estado mais populoso do País, São Paulo ainda está estável, mas tem registrado queda de casos nos últimos dias e caminha para entrar no estágio desacelerado. Nenhuma unidade da Federação tem a pandemia em nível acelerado.

"Desde o início, as vacinas foram feitas para diminuir mortes e internações. Agora estamos vendo que elas têm impacto até na transmissão", afirma Paulo Lotufo, da USP, lembrando os resultados do estudo do Instituto Butantan feito em Serrana, divulgados em maio.

A imunização de quase todos os adultos com as duas doses da CoronaVac fez os casos sintomáticos despencarem 80% na cidade. Houve redução inclusive nas infecções de crianças e adolescentes, não vacinados, enquanto cidades vizinhas, como Ribeirão Preto, registravam alta.

EXTERIOR

Fora do Brasil, pesquisas apontam no mesmo sentido. No mês passado, levantamento publicado na revista Nature indicou queda de mais de 60% na transmissão após a primeira dose e 80% após a segunda dose entre 385 mil moradores do Reino Unido que tomaram vacinas da AstraZeneca e da Pfizer.

Em outro estudo, uma agência do governo britânico estimou que a imunização evitou ao menos 8 milhões de infecções naquele país, que tem 65 milhões de habitantes. A vacina, porém, não garante que a pessoa não se infecte ou transmita a doença, e por isso é preciso continuar usando máscara e praticando o distanciamento social.

O que ainda não está claro é o impacto da variante delta, que inicialmente foi detectada na Índia e já começa a circular no Brasil. Além dela, há a preocupação com o possível surgimento de outras variantes, como ocorreu com a cepa identificada em Manaus no início deste ano.

"O medo agora são as variantes e essa sensação de que já passou. Os números estão diminuindo, mas ainda estamos num nível pior que em 2020. Se as pessoas relaxarem e gestores incentivarem eventos para mostrar que está superado, podem aumentar de novo", diz o epidemiologista Diego Xavier, da Fiocruz.

Nos EUA, que já têm 59% da população adulta totalmente vacinada, o número de novos casos mais que dobrou nos últimos 14 dias -as mortes tiveram crescimento mais tímido, de 9%. A variante delta caminha para ser predominante por lá e tem atingido principalmente pessoas ainda não imunizadas.

Segundo Xavier, espera-se que algo semelhante ocorra por aqui. "Já se vê a diferença nas curvas de locais que não aderiram à vacina nos EUA, com surtos localizados. Estamos torcendo para que no Brasil aconteça o mesmo, com mais casos apenas de forma localizada em cidades que tenham pouca cobertura de segunda dose, por exemplo."

A vacinação no Brasil começou há seis meses e só havia atingido 26% da população adulta um mês antes do pico de casos, considerando os vacinados com apenas uma dose ou dose única. A porcentagem dobrou para 56% nesta semana. "Não podemos perder de novo essa oportunidade de olhar para os países mais vacinados e tomar as providências antes de as coisas piorarem, como fizemos a pandemia toda", alerta o pesquisador.