09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Receita de bolo de fubá

Demerval Assis da Silva
| Tempo de leitura: 2 min

Estamos novamente vivendo tempos perigosos, ao ter um presidente que flerta com a ditadura. Isso é público e notório, com artifícios que vão do renascimento do "medo de anos atrás" do comunismo que se instalaria e aqui faria morada, dividindo casas e outras propriedades aleatória ao dono, para um ou mais pessoas que não possuem bens. Eu vivi esse medo na pele de um tio produtor de café na alta paulista, que morria de medo e ódio da palavra "comunismo".

Tanto apego com a matéria que talvez morreria, com quase cem anos de idades, os filhos "futuros herdeiros", depois de trabalharem nos "cabos de enxadas" por muito tempo, estudaram, se formaram, hoje, pelo que vejo, talvez nem precisariam mais daquela herança. Ledo engano nosso, seu e meu, porque quase todos sabemos como se age mediante uma herancinha daquelas. Quando o meu tio foi enterrado, o pau quebrou feio pela partilha das terras e a "herança do apego" no apego ficou, depois que um dos herdeiros, justo aquele, que diferentemente dos irmãos não dava bulhufas para a tal herança. Morreu desgostosamente, em meio ao pau quebrando pelo dinheiro em terras deixado pelo pai. Moral dessa história: por não chegarem a um consenso, e mediante a morte de uma herdeira, que não deixou herdeiro, e por eles não precisarem dessa "merdança" tanto assim, hoje essas terras estão lá pra terceira geração, quem sabe, brigar ou vender e desfrutar daquilo que deviria ter sido uma boa herança.

Mas tudo isso pra refletir sobre o comunismo dito e a ditadura maldita, essa uma herança de merda mesmo. Que tem sido vista no olhos que "brilham" e ouvida da voz que encontra ainda ouvidos dormentes ou dementes, tal qual o do presidente. Aquele que ameaça fechar o Congresso ou aplicar um "novo velho golpe". Caso se confirme a "fraude" por ele "prevista" nas próximas eleições de 2022, para presidência da República.

Daí, meus amigos da imprensa falada, vista ou ouvida, restará, quem sabe, o recurso usado de 1964 em diante: publicar receitas de bolo, misturadas a poesias de Camões como "forma subversiva de resistência", para se ter uma imprensa livre novamente.

Pensemos bem nisso! Vem, vamos embora, que esperar não é saber, quem sabe faz a hora não espera acontecer... (para não dizer que não falei das flores - Geraldo Vandré - cantor, compositor e advogado exilado, vítima da ditadura) no Brasil.