Lima - Com uma plataforma que mistura populismo de esquerda na economia com pautas conservadoras nos costumes, o professor Pedro Castillo foi confirmado, na noite de segunda (19), como vencedor do pleito presidencial do Peru. Castillo recebeu 50,12% dos votos válidos, contra 49,87% da conservadora Keiko Fujimori, segundo anúncio oficial.
Foram mais de 40 dias de uma contagem de votos marcada pela tensão e pelas ameaças de Keiko de não reconhecer a derrota, alegando fraude. Pouco antes do anúncio, Keiko aunciou que reconheceria a derrota, uma vez que todos os seus recursos foram rejeitados.
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) parabenizou o esquerdista Pedro Castillo por sua confirmação como presidente do Peru. Embora Castillo seja de campo ideológico oposto ao seu, Bolsonaro defendeu que as relações entre os dois países se estreitem. "Reafirmo a disposição do governo brasileiro em trabalhar com as autoridades peruanas para reforçar os laços de amizade e cooperação. Felicidades ao povo peruano!"
Bolsonaro torceu abertamente pela candidata conservadora Keiko Fujimori. Diversos líderes parabenizaram Castillo. Um dos primeiros a se pronunciar foi o argentino Alberto Fernández. "Expressei meu desejo de que unamos esforços em favor da América Latina. Somos nações irmãs. Celebro que o povo peruano enfrente o futuro em democracia e com solidez institucional".
Pedro Castillo, 51 anos, era conhecido no país até a eleição por dois episódios. O primeiro foi a liderança de uma greve nacional de professores, em 2017, à frente do Comitê Nacional de Reorientação, principal sindicato de professores rurais do Peru. O segundo foi a rápida escalada até a primeira posição no primeiro turno da eleição peruana, por meio de uma agenda esquerdista, simpática ao chavismo, e de propostas que visam a refundação do país, entre as quais a criação de uma nova Constituição e o desmonte de instituições, como a Defensoria do Povo, que ele considera um órgão corrupto. Pelo mesmo motivo, também defende a reforma do Judiciário.
A vitória ocorre 19 anos após a estreia na política, em 2002, quando foi candidato a prefeito de Anguía, um pequeno povoado na região de Cajamarca. Perdeu - , desde então, nunca mais havia se candidatado. Castillo compartilha com Keiko Fujimori, a rival derrotada no pleito presidencial, uma visão conservadora. É contra o casamento gay, o aborto e o que chama de "ideologia de gênero".
Afirma que o Estado tem de acompanhar os peruanos "na economia, nas ruas, em casa e na escola", como disse no último debate presidencial. Também está alinhado com a filha do ex-autocrata peruano Alberto Fujimori quanto à rejeição à entrada no país de mais refugiados venezuelanos, que, para ele, "roubam empregos dos peruanos".