Novo buracos e rachaduras que surgiram no Viaduto João Simonetti, nos últimos dias, voltaram a provocar temor nos motoristas sobre as condições do dispositivo, que liga o Centro ao Bela Vista. Uma reunião sobre o tema, entre o Ministério Público (MP) Estadual e o município, na última semana, terminou com um termo assinado pelo secretário municipal de Obras, Leandro Joaquim, que é engenheiro civil, garantindo que o equipamento não apresenta risco de colapso iminente. A pasta, agora, corre contra o tempo para emitir até 30 de julho um laudo técnico detalhado, exigido pelo MP, e que confirme a segurança do local. Caso contrário, a alça que dá acesso à av. Nuno de Assis pode ser novamente interditada.
Nos últimos dias, pedestres e motoristas têm se queixado de temor ao realizar a travessia do viaduto por conta de rachaduras e buracos. Eles também relatam maior trepidação.
O assunto, inclusive, chegou ao vereador José Roberto Segalla (DEM), que cobra uma solução e explicações da prefeitura sobre a situação. "Antecipar-se aos problemas é uma forma de mostrar uma gestão eficiente, além de dar segurança à população", aponta o vereador, que também é engenheiro.
EVITOU FECHAMENTO
O termo assinado na última semana pelo secretário municipal de Obras, Leandro Joaquim, junto ao MP teve como objetivo evitar que o promotor de Habitação e Urbanismo, Henrique Varonez, recomendasse, desde já, uma nova interdição da alça de acesso do Viaduto João Simonetti.
Isso porque, no fim de junho deste ano, o Centro de Apoio Operacional à Execução (Caex), órgão ligado ao MP e que presta apoio técnico ao trabalho da promotoria, emitiu um laudo sobre as obras provisórias que foram feitas na alça do viaduto para que houvesse a liberação do tráfego em setembro do ano passado.
O órgão comparou tanto documentos entregues pela prefeitura para a liberação da alça quanto os laudos das duas últimas inspeções oculares, realizadas em setembro de 2020 e em março deste ano. Com isso, apontou que há informações conflituosas e omissões. As divergências estariam nos parâmetros técnicos e metodologias diferentes utilizadas para cada situação.
"O parecer do Caex aponta que, diante das inconsistências nas informações, não há como ratificar que o serviço feito no local é seguro. Em razão disso, eu iria recomendar a prefeitura que interditasse novamente a alça de acesso, mas o secretário, que é engenheiro civil, sob pena de responsabilidade do grau técnico dele e pela responsabilidade sobre as inspeções que têm sido realizadas, garantiu que o viaduto e a alça de acesso não correm risco de colapso imediato", cita o promotor.
O MP, contudo, exigiu a entrega de um laudo técnico até 30 de julho, assinado por outro engenheiro responsável, que possa esclarecer todos os pontos levantados pelo Caex e concluir se, tanto a alça quanto o viaduto todo, são seguros.
"Se o responsável disser que não possui condições de concluir que o viaduto é seguro ou se afirmar que não é seguro, a prefeitura receberá recomendação para nova interdição da alça de acesso. E, se o município não cumprir, faremos a interdição judicialmente", comenta Varonez.
PALIATIVOS
Leandro Joaquim reconhece que os trabalhos feitos pela Obras no local até hoje foram paliativos, mas assegura que, apesar dos relatos de buracos e rachaduras, não há nenhum indício que realmente aponte riscos estruturais de colapso, como fissuras.
"Tenho convicção de que não há esse risco. Acompanho os relatórios semestrais de inspeção", comenta o titular da pasta.
Como o prazo para a Obras apresentar laudo que "convença" o MP sobre essa inexistência de risco imediato termina no dia 30 de julho, a pasta corre contra o tempo para elaborar o documento com equipes próprias, uma vez que o serviço não foi licitado e contratado.
A prefeitura, contudo, afirma que prepara um edital para realização, até 2022, de uma licitação para contratar um laudo completo sobre o viaduto a fim de viabilizar uma obra de manutenção e troca da junta de dilatação, que está comprometida e é apontada como causa dos buracos.