07 de julho de 2026
Esportes

'O poder do Esporte'


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Às 8h (horário de Brasília) desta sexta-feira (23), o Estádio Nacional, na região de Shinjuku, em Tóquio, assistirá ao começo formal de uma edição de Olimpíadas sem precedentes: tratam-se dos primeiras Jogos adiados da história (de 2020 para 2021) e, provavelmente, os únicos em que a maioria da população local teme e rejeita as competições.

Cerimônias de abertura de Olimpíadas costumam lotar estádios, mas em Tóquio, como se sabe, será diferente. Não haverá torcedores nas arquibancadas. Mas isso não quer dizer que o evento não terá público in loco. De acordo com o Comitê Organizador dos Jogos, cerca de 950 pessoas vão assistir ao evento no reformado Estádio Olímpico.

Este número inclui dirigentes esportivos, autoridades e jornalistas que estarão presentes no evento. Das tribunas, eles vão poder acompanhar artistas e dançarinos em suas performances no gramado do estádio, além dos atletas.

A organização não revelou o número de atletas que vão comparecer ao evento. Mas é certo que cada delegação levará número reduzido, justamente por causa da pandemia de Covid-19. O grupo de esportistas de cada país será apenas simbólico para evitar aglomeração e manter o distanciamento social em meio ao aumento do número de casos da nova doença na capital japonesa nos últimos dias.

INSPIRAÇÃO

Com a chancela do imperador Naruhito, a festa de abertura que dará início oficial ao evento pretende passar a mensagem de que o Esporte pode inspirar e ajudar o mundo a enfrentar a pandemia de Covid-19 em meio a críticas internas e externas em torno de sua realização.

O comitê organizador tem dado poucas indicações do roteiro da cerimônia. Sem muito clima para festa, a abertura de Tóquio-2020 não terá como escapar da grave crise sanitária pela qual passa o mundo. Das mais de 4 milhões de mortes provocadas pela Covid-19, 15 mil ocorreram no Japão.

O que se sabe até agora é que a abertura, cuja duração prevista é de três horas, deve lembrar que a pandemia, ainda pujante em diversas partes do mundo, teve impacto no cotidiano das pessoas e mudou as relações entre elas. Assim, o slogan escolhido para o evento foi "unidos pela emoção", e a expectativa é a de que a cerimônia explore a ideia de que Tóquio-2020 pode levar coragem e esperança num momento difícil, algo que o comitê local tem chamado de "o poder do esporte".

A missão de agradar não é fácil. Tóquio abre as Olimpíadas de 2020 no mesmo palco da inauguração dos Jogos de 1964, mas desta vez sob estado de emergência, medida imposta desde o dia 12, e com registros de mais de 1.000 casos de Covid por dia, patamar considerado delicado no contexto local.

Na quarta (21), foram registradas 1.832 novas infecções, na primeira vez em seis meses que esse índice superou o patamar de 1.800 contaminações em um único dia. De acordo com dados oficiais, até agora 91 casos da doença estão relacionados à competição, cinco dos quais na Vila Olímpica.

Em 1964, os japoneses celebraram sua reabertura ao mundo após a Segunda Guerra. Agora, em 2021, 70% da população duvida que os Jogos serão realizados com segurança, segundo o jornal Asahi Shimbun.

BRASIL

A delegação brasileira terá pela primeira vez uma dupla de porta-bandeiras: a judoca Ketleyn Quadros, que ganhou o bronze em Pequim-2008, e o levantador Bruninho, ouro na Rio-2016 e prata em Pequim e Londres-2012. Segundo o COB (Comitê Olímpico do Brasil), o País terá quatro representantes na abertura. Estarão presentes o chefe da missão e vice-presidente do COB, Marco La Porta, a judoca Ketleyn Quadros e o jogador de vôlei Bruninho - porta-bandeiras da delegação -, além de um oficial administrativo a ser definido.