08 de julho de 2026
Esportes

Experiência olímpica

Cinthia Milanez
| Tempo de leitura: 3 min

Único medalhista olímpico nascido em Bauru e que mantém residência na cidade, Antônio Carlos Barbosa disputou três Olimpíadas enquanto técnico da Seleção Brasileira de basquete feminino e, em 2000, garantiu o bronze para o País nos Jogos de Sydney, na Austrália. Tamanha experiência permite que o profissional aposte em algumas modalidades na competição de Tóquio, no Japão, cuja abertura oficial está marcada para esta sexta-feira (23), já que o basquete não se classificou para a disputa no continente asiático.

Barbosa aposta no vôlei, futebol, iatismo e judô para garantir medalhas para o Brasil nas Olimpíadas de Tóquio devido à tradição dessas modalidades. O profissional também lamenta o fato de tanto o basquete feminino quanto o masculino terem ficado de fora da competição. "Os times estão equilibrados ao redor do mundo e, pelo menos, no masculino, há de 10 a 12 seleções muito boas. Perder para elas não significa que o nosso basquete seja fraco", avalia.

O ex-técnico da Seleção Brasileira de basquete feminino concorda com a realização das Olimpíadas de Tóquio, mesmo em meio à pandemia do novo coronavírus, desde que haja respeito a todos os protocolos sanitários. "Nós só não tivemos essa competição durante as duas Grandes Guerras Mundiais e, logo após o término de ambos os combates, ela foi retomada, fato que reforça a sua tradição", acrescenta.

Para ele, o grande desafio dos atletas será a motivação. "Com a pandemia da Covid-19, algumas cidades japonesas proibiram a presença do público e, se eu fosse treinador, trabalharia bastante a questão emocional dos competidores", observa.

NAS OLIMPÍADAS

O profissional aproveita para relembrar as vezes em que participou do campeonato. "A minha primeira Olimpíada foi em 2000, na Austrália. Na época, a Seleção Brasileira disputava a sua primeira competição internacional sem a Paula e a Hortência. Mesmo assim, nós conseguimos o bronze em um jogo acirrado contra a Coreia (do Sul). Antes, fizemos um pré-olímpico muito bom, afinal, participamos de mais de 50 jogos internacionais, fato que contribuiu para a conquista", completa.

Já a segunda Olimpíada de Barbosa enquanto técnico da Seleção Brasileira foi a de Atenas, na Grécia, em 2004. "Nós jogamos com a mesma base de Sydney, mas perdemos para a Rússia e ficamos em quarto lugar", narra.

A última competição do profissional foi no Rio de Janeiro, em 2016. "Houve uma mudança de técnico em cima da hora e eu assumi faltando poucos meses para o início da disputa", informa, justificando o fato de o time não ter garantido uma medalha para o Brasil.

TRAJETÓRIA

Natural de Bauru, Barbosa começou treinando o time de basquete da escola onde estudava, o Instituto de Educação Ernesto Monte. Ele também liderou as equipes da Associação Luso Brasileira, do Sesi Bauru e do Bauru Tênis Clube (BTC).

Em 1971, devido ao seu trabalho junto às categorias de base, o profissional foi convidado para assumir o cargo de assistente técnico da Seleção Brasileira de basquete feminino. Entre 1976 e 1984, ele se tornou técnico do time, função que também exerceu de 1996 a 2007 e em 2016.

O profissional também treinou diversos times brasileiros e chegou a liderar a seleção masculina de Camarões, na África.

Hoje, Barbosa trabalha como assessor da Secretaria de Esportes de Itu, onde chegou em 2017 com um projeto de basquete feminino, que acabou incorporado pela prefeitura.